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    mundo virtual

    O grande narrador

    por Teresa Azambuya | Publicada em 12/08/2017 às 17h47| Atualizada em 14/08/2017 às 11h57

    Nos estudos de literatura, um dos principais assuntos discutidos diz respeito ao narrador. Há várias classificações. O narrador onisciente, por exemplo, é aquele que sabe tudo sobre a história, conhece os detalhes da trama, as ações e os pensamentos dos personagens. Ele pode ser um narrador onisciente neutro, que narra sem fazer comentários, ou um narrador onisciente intruso, que insere observações ao longo da narrativa; conversa com o leitor. Machado de Assis, por exemplo, utilizou bastante esse recurso.

     

    (Corta para o fim de semana)

    Levei meu afilhado para passear no shopping. Desfilávamos elegantemente no corredor, quando ele decidiu parar numa banquinha para ver o preço do chromecast, dispositivo que permite qualquer televisão conectar-se à Internet. Passamos, vimos, comentamos o preço e as funcionalidades, depois partimos para o lanche. Não se fez mais nada além disso; não se falou mais no assunto.

     

    “Não, senhora minha, ainda não acabou este dia tão comprido; não sabemos o que se passou entre Sofia e o Palha, depois que todos se foram embora. Pode ser até que acheis aqui melhor sabor no caso do enforcado.” (Exemplo de narrador onisciente intruso, na obra Quincas Borba, de Machado de Assis.)

     

    Melhor sabor mesmo tinha o lanche que comi com meu sobrinho. Depois de saborear um sorvete, fui para casa. Acessando um site de notícias, eu deslizava o cursor quando começaram a pipocar em minha tela várias propagandas do chromecast. Várias. Mas como, se eu não havia feito nenhuma pesquisa no computador, nem no celular, nem em lugar algum? Seria mera coincidência? 

    Mandei um whatsapp para um amigo da informática. Peloamordedeus, diz que eu não estou ficando louca, ou paranoica, ou com ataques de pânico.

    O assunto rendeu bastante. Dentre as várias conjecturas, surgiram links que falam da possibilidade de o Facebook captar áudios do ambiente, por meio do microfone do celular. Li relatos de pessoas que passaram situações parecidas. Tudo é teoria, mas tudo pode ser verdade, porque, afinal, recursos tecnológicos para isso existem. Mas a que ponto isso pode chegar? Estaria eu lendo muita ficção e imaginando que isso é a realidade? Ou a minha realidade está adquirindo todos os aspectos de uma ficção?

    Inconformada, fiz uma busca no Google.

     

     

    Ele sugere-me o que pesquisar. O que comprar. Por qual rota ir. Sabe meus gostos, minhas preferências (promoção de fraldas estão sempre em todos os sites que acesso). É um grande narrador onisciente. Sabe tudo. E intromete-se o tempo todo, anunciando, anunciando, anunciando. “Você quis dizer...”, ele me alerta, quando erro na digitação de uma pesquisa.

    A questão, enfim, é essa. O mundo virtual é uma construção, assim como o mundo ficcional. Tem, igualmente, seus recursos e seus discursos. O que nos cabe, afinal, no papel de personagens que desempenhamos, é ficarmos alertas ao poder desse grande narrador. Talvez toda essa minha desconfiança seja uma paranoia de uma personagem secundária que sou, imaginando teorias da conspiração. Talvez algum protagonista leia este texto que eu escrevi e ria alto. Ou, talvez, depois que eu fechar este programa e acessar o Facebook, apareçam notícias em minha timeline nas quais a rede social esclarece que os microfones dos celulares não são utilizados sem autorização.

     

    (Corta para o dia seguinte)

    Acordei e vim revisar este texto, antes de enviá-lo. Não, sem antes, acessar as notícias e as redes sociais. Abri o Facebook, e o que ele me sugeriu? Esclarecimentos sobre a política de privacidade.

     

     

    No mundo virtual, tudo é possível. E todo cuidado é pouco.  

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