notcia bem tratada
GRAVATAÍ, 15/10/2018

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Recomendamos

  • Nossos Clientes
  • Nossos Clientes
  • Nossos Clientes
  • Nossos Clientes
  • Facebook

    nomes minúsculos

    O apocalipse dos trabalhadores

    por Teresa Azambuya | Publicada em 14/07/2017 às 11h31

    Duas diaristas que também são carpideiras, nas horas vagas; um imigrante ucraniano que foi para Portugal para trabalhar na construção civil; um patrão que assedia a empregada. Essas são histórias de envolvimento, de sofrimento, de exploração, de melancolia, de saudade e de riso que se entrecruzam pelas vidas dessas personagens, na obra O apocalipse dos trabalhadores (2013), do escritor português Valter Hugo Mãe.

    maria da graça e quitéria (despidas de letras maiúsculas, como todos os demais nomes e inícios de frase do romance) são duas mulheres-a-dias (como se chamam as diaristas em Portugal). Trocam confidências sobre suas vidas, seus problemas, seus sonhos e suas frustrações. andriy é o namorado de quitéria, e tenta, ao longo da obra, transformar-se em máquina, como forma de superar as dificuldades de viver num país estrangeiro onde não consegue se comunicar. portugal é o cão, “quadrado castanho cheio de pulgas”, numa referência simbólica criticamente eloquente sobre o país. Vários são os personagens, em sua maioria “trabalhadores fodidos”, que vivem uma vida de restos emocionais e tentam superar suas agruras.

    A obra é de uma beleza tocante, com cenas muito bem-humoradas que revelam as profundezas e as angústias das protagonistas e de todos os outros que com elas se relacionam. São personagens comuns, com dramas comuns, que nos comovem porque nos identificamos com eles.

     

    a terra dos trabalhadores, pensou maria da graça, deus talvez nem saiba onde isso fica, se isso fica assim metido entre a terra dos outros homens e das outras coisas. pousava a vassoura no chão, acumulava o pó num canto, via-o amontoar-se como uma obra a crescer. quanto mais pó, mais trabalho à mostra. depois o detergente para o chão, depois as ceras, depois deixar secar e rezar para que ninguém por ali passasse antes de estar seco, ou ficariam marcadas as patorras do burro que destruiriam o brio do trabalho das mulheres-a-dias. talvez pela injustiça deus devesse aparecer numa altura como essas e não só limpar de novo, e com a mesma impecável qualidade, como dotar as mulheres de uma força mais incansável, uma energia feliz que não se esgotasse e pudesse contentar os patrões para que lhes pagassem sem hesitação o dobro das misérias que lhe pagavam. (...)"

     

    É uma obra essencial, de um autor também essencial em língua portuguesa, elogiado, inclusive, por José Saramago. Trato sobre ela, hoje, porque o título é altamente sugestivo na semana em que tivemos o apocalipse dos trabalhadores no Brasil, com a aprovação da Reforma Trabalhista.

    Se, na obra de Valter Hugo Mãe, maria da graça pensa que deus não sabe onde fica a terra dos trabalhadores, aqui no Brasil, desconfio que os senadores, os congressistas, o governante nacional também não saiba. Ou, na verdade, não se importem com isso. 

    • tráfico
      OPiNIÃO | A Lava-Jato contra as facções
      por Eduardo Torres
    • coluna do silvestre
      Estado promete RS-118 duplicada para este ano
      por Silvestre Silva Santos | Edição de imagens: Guilherme Klamt
    • eleições 2018
      OPINIÃO | Marco e o MDB apoiam Bolsonaro e filiam Áureo
      por Rafael Martinelli | Edição de imagens: Guilherme Klamt
    • habitação
      Audiência pública debate a regularização da Granja
      por Eduardo Torres
    • ensino superior
      Facensa tem curso com nota máxima no Enade
      por Silvestre Silva Santos
    • eleições 2018
      OPINIÃO | O oportunismo de Cláudio Ávila; e os outros
      por Rafael Martinelli | Edição de imagens: Guilherme Klamt
    SITE DE JORNALISMO E INFORMAÇÃO
    Gráfica e Editora Vale do Gravataí
    Av. Teotônio Vilela, 180 | Parque Florido
    Gravataí(RS) | Telefone: (51) 3042.3372

    redacao@seguinte.inf.br

    Roberto Gomes | DIRETOR | roberto@seguinte.inf.br
    Rafael Martinelli | EDITOR | rafael@seguinte.inf.br
    Silvestre Silva Santos | EDITOR | silvestre@seguinte.inf.br
    Eduardo Torres | EDITOR | eduardo@seguinte.inf.br
    Guilherme Klamt | EDITOR | guilherme@seguinte.inf.br
    Ao reproduzir uma de nossas matérias, é ético citar a fonte.
    As opiniões assinadas são de responsabilidade de seus autores e não representam a posição do jornal.
    Desenvolvido por i3Web. 2016 - Todos os direitos reservados.