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    a mulher do pai

    A arte tem função?

    por Marcos Golembiewski | Publicada em 08/07/2017 às 11h47| Atualizada em 08/07/2017 às 17h37

    Vida que segue. É o mundo dando suas voltas e nossas vidas também. Recomeço hoje a escrever sobre filmes e livros. E essa volta me faz refletir sobre a arte. A arte tem alguma função? A arte pode ser considerada melhor quando ensina alguma coisa? A arte ensina? Será que aprendemos como são as pessoas e o mundo? A arte é revolucionária, ela muda o mundo? Ou ela apenas pode mudar e inspirar nossas vidas?

    Não sei responder de modo objetivo. A interpretação de toda obra de arte é essencialmente subjetiva. Afinal toda interpretação vai carregada de nossas convicções prévias, de nossos valores. Na verdade, ao me deparar com uma obra, privilegio a estética, o belo e as emoções que causa. Quanto a isso não tenho dúvida, a arte emociona.

    Para responder a todas essas indagações, gosto mesmo é da frase do poeta Ferreira Gullar: “A arte existe, porque a vida não basta”. É isso, a arte existe, porque a vida não basta, sem arte a vida não teria sentido. A arte existe para dar sentido a vida.

    Então, para começo de conversa vou escrever sobre o filme Mulher do Pai, primeiro longa metragem da cineasta gaúcha Cristiane Oliveira, o qual traz outra indagação: A arte é universal. Sim a arte é universal, mesmo que falemos apenas de nosso lugar. Mulher do Pai se passa numa vila da fronteira entre o Brasil e o Uruguai, mas trata de temas humanos e, portanto, universais.

    O filme é centrado na relação entre Ruben, cego desde os vinte e dois anos e sua filha Nalu de dezesseis. Esse convívio sofre profunda transformação após a morte da mãe de Ruben. A ausência vai aproximá-los. A vida dos dois numa casa simples da fronteira proporciona a descoberta da intrincada relação entre pai e filha. Para Nalu, adolescente, também acontece às descobertas da paixão e do amor.

    A cegueira do pai em nada altera sua clara visão das alterações de seu papel e suas responsabilidades de pai. E assim o filme transcorre delicado, tratando de temas universais e humanos: a morte, a amizade, a paixão e o amor.  

    Na tela desfilam imagens da fronteira traçada pelo homem, do campo, do amanhecer, das geadas, do gado e da imensidão do pampa.      

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