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    coluna do silvestre

    --- Amor, já vai tirando a calcinha, tá?

    por Silvestre Silva Santos | Publicada em 17/10/2019 às 15h06| Atualizada em 17/10/2019 às 16h41

    Da série me cortem os tubos!

    Me aguentem ou...

     

    Quem me contou foi um amigo que trabalha como motorista de aplicativo. Estávamos sentados à mesa de um boteco. Eu com uma taça de café preto fervente, à frente, ladeado por uma garrafinha plástica de mineral. Sem gás. Porque com gás não combina com café, né?

    Ele, com um cigarro fumegante entre os dedos indicador e médio, da mão esquerda. Acho que era LM, mas fedia feito um Tufuma. Bah, Tufuma! Essa é só para os fortes... Na mão direita brincava com as chaves do carro, não sei o modelo mas deveria ser um Chevrolet, com um chaveiro reproduzindo as gôndolas de Veneza, aquela cidade da Itália que vive inundada o ano inteiro.

    Ah, o que ele me contou...

    Dia desses, ou noite destas, não tenho certeza, ele foi chamado por um usuário destes transportes por aplicativo, em um endereço que ficava na avenida Praia de Belas. Meio “centrão” de Porto Alegre, ou por aqueles lados. Foi ao endereço orientado pelo Waze (sistema de GPS que, em gringuês, é o tal de Global Positioning System. Em português é Sistema de Posicionamento Global).

    Quando parou, viu que era uma festa, e que uma dezena de homens e mulheres – talvez um pouco mais, ou pouco menos – ficou olhando para o carro, a uns 20 metros de distância por aí, apontando, fazendo comentários que meu amigo diz não ter ouvido pela distância e porque estava com os vidros fechados, e dando risadas (ele sabia que eram risadas pelo movimento que faziam com a cabeça, os rostos, as bocas...).

    Não localizou o passageiro, de imediato, mas não se passaram muitos segundos até que ouvisse alguém batendo no vidro direito da porta traseira do carro. A pessoa, um homem, visivelmente com os ‘pés molhados’, encharcado de pinga da cabeça aos pés, não entrou no carro. Atirou-se para o seu interior, literalmente, caindo sobre o banco do passageiro ao lado do meu amigo que, a esta altura, já previa o pior.

    Dada a partida, GPS programado para o endereço de entrega do pacote, digo, do passageiro, na Zona Norte da capital do mundo (Porto Alegre, para quem não sabe de Geografia, História, Portiuguês), meu amigo colocou-se a rodar e a dobrar esquinas à direita e à esquerda (sem qualquer conotação político-partidária, por favor!).

    Seu passageiro, ao lado, a esta altura, balançava a cabeça quase ao ritmo da música que tocava na Antena 1, emissora de rádio de preferência do amigo.

    Não andaram muito até que o passageiro, um homem com cerca de 40 anos, bem vestido, aparentemente bem empregado pelo que dizia, protagonizou a razão das nossas gargalhadas que fizeram quem estava no boteco, digo, lanchonete, ou bar, parar de falar e nos olhar...

    O homem sacou seu smartphone e com alguma dificuldade completou uma ligação. Segue o diálogo – ou o que seria um diálogo já que meu amigo só ouviu o que seu passageiro falava –, mais ou menos com estas palavras...

    --- Alô, amor? Oi, amor...

    --- Sim, sou eu. Quem é mais que poderia ser?

    --- Já indo para casa, amor. Claro que indo amor. Não acredita em mim?

    --- Olha só, amor (o passageiro dá uma risadinha), indo memo, ?

    --- Faz assim, amor: Já chegando... Já vai tirando a calcinha, ?

    (pausa na fala do passageiro que repete umas três vezes, tá... tá... tá...)

    Em seguida, olha para o meu amigo que tenta se manter sério e concentrado à direção e dispara, como resultado de uma provável baita reprimenda que tenha recebido da patroa pela bobagem que disse:

    --- Desculpa aí, é que eu não vi que o senhor estava aí!

    (Momento de profundo silêncio por uns bons cinco minutos).

    E seguiram viagem, falando sobre várias outras coisas. Claro, felizmente, segundo meu amigo, o pior não aconteceu dentro do carro.

    Ele só não soube dizer se o passageiro vomitou a cervejada antes ou depois da surra que deve ter levado quando entrou em casa...

    Por estas e por outras que eu digo, para o mundo que eu quero descer.

    Ah, aproveita e me corta os tubos!

     

     

     

     

     

     

     

     

     

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