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    me corta os tubos!

    Eu perdi os ovos numa marcha do quartel

    por Silvestre Silva Santos | Publicada em 10/09/2018 às 14h09

    Da série me cortem os tubos! Me aguentem ou...

     

    Em tempos em que se discute tanto a questão militar, militarismo, autoritarismo, regime ditatorial ou não...

    Eu servia ao Exército, em 1977.

    Sou da classe 58 e fui soldado na Bateria de Serviços, que já nem existe mais, no 13º Grupo de Artilharia de Campanha, o 13GAC. Meu número era o 642 – que joguei no bicho por muitos anos sem nunca ganhar um centavo sequer! – e meu nome de guerra era o principal, Silvestre.

    Por ter sido, antes de vestir a farda, garçom, fui levado a servir no cassino dos oficiais, onde faziam refeições mediante prévia confirmação de presença desde os aspirantes a oficiais ao coronel-comandante da unidade.

    Sargentos e sub-tenentes tinham o cassino deles, e cabos e soldados comiam no que era chamado de ‘rancho’.

    Como sempre fui curioso e já tinha alguma noção, em pouco tempo estava também cozinhando, e não apenas servindo às mesas. E, como cozinheiro, passei a fazer parte do rodízio da escala para fins de semana e feriados.

    Tinha regalias, vantagens, benefícios, como cassineiro dos oficiais. Por exemplo, não participava da formatura – apresentação diária! - no pátio da bateria à qual eu estava vinculado. Nem dos exercícios físicos, marchas, e outras atividades das quais participava a maioria dos soldados.

    Lembro de ter participado de apenas dois exercícios de tiro de obuses. Um apenas entre os integrantes das baterias do 13GAC, a comando, de serviços, e as primeira, segunda e terceira baterias de obuses. Outro em Santa Maria, competitivo, com outras unidades da artilharia pesada.

    Na primeira vez até liderei um dos grupos de soldados que, vendados – todos nós – fomos colocados na carroceria de caminhões e deixados, literalmente espalhados aleatoriamente a alguns quilômetros do acampamento-base, no começo da noite.

    Era um exercício de orientação.

    Quem chegasse primeiro de volta ao acampamento teria o resto da noite para dormir, direito ao lanche noturno e poderia descansar até o dia seguinte. Aos últimos restariam a fome, o cansaço, e às exigências dos superiores para que “pagassem”, na forma de atividades físicas, pela incompetência.

    Meu grupo foi o primeiro a chegar e ainda escapamos dos pelotões que nos ‘caçavam’ no meio do mato, com a missão de aplicar uma ‘sova’ em cada grupo que encontrasse.

    No segundo, em Santa Maria, lembro da missão de ir à cidade, todas as noites, buscar o pão que seria servido no café do dia seguinte. Junto trazia alguns cantis cheios de caninha - da boa - que alguns soldados ficavam bebendo enquanto jogavam cartas, à noite. No outro dia, para acordar, era um Deus nos acuda!

    Mas o que quero contar é sobre uma marcha, a pé, de cerca de uns 20 quilômetros.

    Fui escalado para fazer parte do pelotão dos reles mortais. Marchar com fuzil e mochila, fardamento de guerra, sob frio e chuva.

    Nunca tive uma compleição física avantajada e, naqueles tempos, menos ainda. Eu era o ‘risco e o fedor’, de tão seco.

    Como eu sabia que a ‘boca era encardida’, como se diz popularmente, cozinhei uma meia dúzia de ovos para levar sob o fardamento e garantir que não passaria fome. Como era inverno, usávamos uns jaquetões grossos e meio compridos. Na cintura, cintos que afunilavam e grudavam a jaqueta ao abdômen.

    Ali eu guardei os ovos cozidos!

    Na ida, tudo certo, sem pane alguma. Para a hora da fome os ovos estavam assegurados. O que eu não contava era que algum colega-soldado engraçadinho aprontou algum erro e lá veio o sargento Raul, um carrasco em forma de gente, exigir que todos ‘pagassem’ pelo erro do colega.

    Pulinhos de galo com os braços estendidos à frente e com o fuzil nas mãos. Pulinhos de ir ao alto e agachar, sucessivas vezes, umas 100 vezes... Mais as flexões, apoios, com o fuzil sobre o dorso das mãos e sem que deixássemos a arma cair.

    Só que, lá pelas tantas, nos pulinhos de galo, começaram a cair os ovos cozidos de dentro do meu jaquetão. E o sargento-carrasco Raul viu. E continuou cobrando mais e mais pulinhos de galo.
    E mais ovos caíram, e continuamos pagando, e pagando, até a exaustão.

    Fiquei sem os ovos cozidos, totalmente desgastado fisicamente, e ainda tínhamos pela frente uma tarde toda de atividades no meio do mato. De almoço, tivemos que correr atrás e caçar uma galinha jogada no campo pelos cabos e sargentos que faziam parte da missão.

    Galinha depenada, fogo feito, foi só dar uma sapecada e comer do jeito que estava.

    De sobra, na volta, coturnos e meias encharcados pela chuva. Virado em barro dos pés à cabeça. Sem forças físicas, só não fiquei pelo caminho porque à certa altura todos nós fomos jogados na caçamba de caminhões que nos trouxeram de volta à cidade.

    No quartel, ainda tivemos que lavar todas as viaturas e armamentos, e deixá-los guardados já lubrificados.

    Isso, antes do banho que, para fechar com chave de ouro, naquele dia era gelado, Não nos autorizaram a usar o aquecimento.

    Pensa que é fácil? Vai lá e faz!

     

    Por estas e por outras que eu digo, para o mundo que eu quero descer.

    Ah, aproveita e me corta os tubos!

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