notcia bem tratada
GRAVATAÍ, 16/02/2019

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Recomendamos

  • Nossos Clientes
  • Nossos Clientes
  • Nossos Clientes
  • Nossos Clientes
  • Facebook

    me corta os tubos!

    Eu perdi os ovos numa marcha do quartel

    por Silvestre Silva Santos | Publicada em 10/09/2018 às 14h09

    Da série me cortem os tubos! Me aguentem ou...

     

    Em tempos em que se discute tanto a questão militar, militarismo, autoritarismo, regime ditatorial ou não...

    Eu servia ao Exército, em 1977.

    Sou da classe 58 e fui soldado na Bateria de Serviços, que já nem existe mais, no 13º Grupo de Artilharia de Campanha, o 13GAC. Meu número era o 642 – que joguei no bicho por muitos anos sem nunca ganhar um centavo sequer! – e meu nome de guerra era o principal, Silvestre.

    Por ter sido, antes de vestir a farda, garçom, fui levado a servir no cassino dos oficiais, onde faziam refeições mediante prévia confirmação de presença desde os aspirantes a oficiais ao coronel-comandante da unidade.

    Sargentos e sub-tenentes tinham o cassino deles, e cabos e soldados comiam no que era chamado de ‘rancho’.

    Como sempre fui curioso e já tinha alguma noção, em pouco tempo estava também cozinhando, e não apenas servindo às mesas. E, como cozinheiro, passei a fazer parte do rodízio da escala para fins de semana e feriados.

    Tinha regalias, vantagens, benefícios, como cassineiro dos oficiais. Por exemplo, não participava da formatura – apresentação diária! - no pátio da bateria à qual eu estava vinculado. Nem dos exercícios físicos, marchas, e outras atividades das quais participava a maioria dos soldados.

    Lembro de ter participado de apenas dois exercícios de tiro de obuses. Um apenas entre os integrantes das baterias do 13GAC, a comando, de serviços, e as primeira, segunda e terceira baterias de obuses. Outro em Santa Maria, competitivo, com outras unidades da artilharia pesada.

    Na primeira vez até liderei um dos grupos de soldados que, vendados – todos nós – fomos colocados na carroceria de caminhões e deixados, literalmente espalhados aleatoriamente a alguns quilômetros do acampamento-base, no começo da noite.

    Era um exercício de orientação.

    Quem chegasse primeiro de volta ao acampamento teria o resto da noite para dormir, direito ao lanche noturno e poderia descansar até o dia seguinte. Aos últimos restariam a fome, o cansaço, e às exigências dos superiores para que “pagassem”, na forma de atividades físicas, pela incompetência.

    Meu grupo foi o primeiro a chegar e ainda escapamos dos pelotões que nos ‘caçavam’ no meio do mato, com a missão de aplicar uma ‘sova’ em cada grupo que encontrasse.

    No segundo, em Santa Maria, lembro da missão de ir à cidade, todas as noites, buscar o pão que seria servido no café do dia seguinte. Junto trazia alguns cantis cheios de caninha - da boa - que alguns soldados ficavam bebendo enquanto jogavam cartas, à noite. No outro dia, para acordar, era um Deus nos acuda!

    Mas o que quero contar é sobre uma marcha, a pé, de cerca de uns 20 quilômetros.

    Fui escalado para fazer parte do pelotão dos reles mortais. Marchar com fuzil e mochila, fardamento de guerra, sob frio e chuva.

    Nunca tive uma compleição física avantajada e, naqueles tempos, menos ainda. Eu era o ‘risco e o fedor’, de tão seco.

    Como eu sabia que a ‘boca era encardida’, como se diz popularmente, cozinhei uma meia dúzia de ovos para levar sob o fardamento e garantir que não passaria fome. Como era inverno, usávamos uns jaquetões grossos e meio compridos. Na cintura, cintos que afunilavam e grudavam a jaqueta ao abdômen.

    Ali eu guardei os ovos cozidos!

    Na ida, tudo certo, sem pane alguma. Para a hora da fome os ovos estavam assegurados. O que eu não contava era que algum colega-soldado engraçadinho aprontou algum erro e lá veio o sargento Raul, um carrasco em forma de gente, exigir que todos ‘pagassem’ pelo erro do colega.

    Pulinhos de galo com os braços estendidos à frente e com o fuzil nas mãos. Pulinhos de ir ao alto e agachar, sucessivas vezes, umas 100 vezes... Mais as flexões, apoios, com o fuzil sobre o dorso das mãos e sem que deixássemos a arma cair.

    Só que, lá pelas tantas, nos pulinhos de galo, começaram a cair os ovos cozidos de dentro do meu jaquetão. E o sargento-carrasco Raul viu. E continuou cobrando mais e mais pulinhos de galo.
    E mais ovos caíram, e continuamos pagando, e pagando, até a exaustão.

    Fiquei sem os ovos cozidos, totalmente desgastado fisicamente, e ainda tínhamos pela frente uma tarde toda de atividades no meio do mato. De almoço, tivemos que correr atrás e caçar uma galinha jogada no campo pelos cabos e sargentos que faziam parte da missão.

    Galinha depenada, fogo feito, foi só dar uma sapecada e comer do jeito que estava.

    De sobra, na volta, coturnos e meias encharcados pela chuva. Virado em barro dos pés à cabeça. Sem forças físicas, só não fiquei pelo caminho porque à certa altura todos nós fomos jogados na caçamba de caminhões que nos trouxeram de volta à cidade.

    No quartel, ainda tivemos que lavar todas as viaturas e armamentos, e deixá-los guardados já lubrificados.

    Isso, antes do banho que, para fechar com chave de ouro, naquele dia era gelado, Não nos autorizaram a usar o aquecimento.

    Pensa que é fácil? Vai lá e faz!

     

    Por estas e por outras que eu digo, para o mundo que eu quero descer.

    Ah, aproveita e me corta os tubos!

    • redes sociais
      ’Teoria’ de jornalista de Gravataí vira notícia nacional
      por Redação
    • coluna do silvestre
      Não falta vaga para quem quer trabalhar
      por Silvestre Silva Santos
    • caso da maconha
      180 dias sem dono para droga no terreno do vereador
      por Eduardo Torres
    • coluna do silvestre
      O dono da Havan esteve na região, fazendo o quê?
      por Silvestre Silva Santos
    • personagens
      COM VÍDEO | Márcia Becker e seus 115 filhotes
      por Eduardo Torres | Edição de imagens: Guilherme Klamt
    • opinião
      5 conselheiros tutelares cobram gratificações em Gravataí
      por Rafael Martinelli
    • educação
      Por que o estado botou abaixo a Escola Carlos Bina do Xará
      por Silvestre Silva Santos
    • gravataí
      Marco Alba apresenta projeto anticorrupção
      por Redação
    • br-290
      Em vídeo e texto, tudo sobre ’novo’ pedágio da Freeway
      por Silvestre Silva Santos | Edição de imagens: Guilherme Klamt
    • opinião
      A polêmica nota do presidente da OAB Gravataí
      por Rafael Martinelli
    • opinião
      Das cinzas políticas do PD, um candidato a prefeito
      por Rafael Martinelli
    • obras
      Longe do ’SPC’, Prefeitura apresenta máquinas
      por Redação
    • opinião
      Dimas pode pedir licença da Câmara
      por Rafael Martinelli
    • coluna do silvestre
      Como está a duplicação das pontes do Parque
      por Silvestre Silva Santos | Edição de imagens: Guilherme Klamt
    • transporte
      Exemplo na integração dos ônibus vem de Gravataí
      por Eduardo Torres
    • segurança
      Bala na Cara mantinha armas e drogas em Gravataí
      por Eduardo Torres
    • opinião
      Boechat e a hipocrisia do morto santo
      por Rafael Martinelli
    • saúde
      HDJB só tem um pediatra; mas número vai aumentar
      por Silvestre Silva Santos
    • opinião
      Evandro não quer parecer ’total flex’
      por Rafael Martinelli
    • opinião
      A esquerda que ’só se une na cadeia’ e a laranja do Bolsonaro
      por Rafael Martinelli
    • cachoeirinha
      Maioria aprova governo Miki, diz pesquisa
      por Rafael Martinelli
    • opinião
      GM confirma bilhão em Gravataí a Marco e Leite
      por Rafael Martinelli
    • refugiados
      A vida dos venezuelanos em Cachoeirinha
      por Eduardo Torres | edição de imagens: Guilherme Klamt
    • transporte
      Um mês para Cachoeirinha ter o seu corredor de ônibus
      por Eduardo Torres
    • opinião
      Leite pode azedar para servidores de Cachoeirinha
      por Rafael Martinelli
    SITE DE JORNALISMO E INFORMAÇÃO
    Gráfica e Editora Vale do Gravataí
    Av. Teotônio Vilela, 180 | Parque Florido
    Gravataí(RS) | Telefone: (51) 3042.3372

    redacao@seguinte.inf.br

    Roberto Gomes | DIRETOR | roberto@seguinte.inf.br
    Rafael Martinelli | EDITOR | rafael@seguinte.inf.br
    Silvestre Silva Santos | EDITOR | silvestre@seguinte.inf.br
    Eduardo Torres | EDITOR | eduardo@seguinte.inf.br
    Guilherme Klamt | EDITOR | guilherme@seguinte.inf.br
    Ao reproduzir uma de nossas matérias, é ético citar a fonte.
    As opiniões assinadas são de responsabilidade de seus autores e não representam a posição do jornal.
    Desenvolvido por i3Web. 2016 - Todos os direitos reservados.