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    entrevista

    Miki Breier, prefeito de Cachoeirinha

    Miki: não serei o prefeito lembrado por contar corpos; Cachoeirinha tem primeira confirmação de COVID 19

    por Rafael Martinelli | Publicada em 31/03/2020 às 21h11| Atualizada em 10/04/2020 às 12h31

    O primeiro caso de infecção por COVID-19 foi confirmado nesta terça na Cachoeirinha onde Miki Breier foi um dos primeiros prefeitos do país a editar decretos de distanciamento social e suspensão das aulas.

    É a última das maiores cidades da região metropolitana a entrar para as estatísticas – como em outros municípios, mais por falta de testes do que pela circulação do vírus, no Brasil das subnotificação de casos e mortes.

    Miki sabe que a COVID-19 não é só uma “gripezinha ou resfriadinho” – e daí o imediatismo, e a dureza, do remédio amargo, mas necessário da ‘quarentena’, apesar do óbvio ‘contágio’ econômico.

    Desde o início do mês amigos da Itália e dos EUA o municiam de depoimentos de quem vive a crise do coronavírus em epicentros.

    Zolin, de Messina, Sicília, envia áudios, vídeos e imagens como de carreatas de caixões, transportados em caminhões do Exército da Itália cujo recorde de mortes em um dia equivaleu á queda de três Boeings.

    João Guilherme, de Los Angeles, Califórnia, em confinamento desde o dia 19, relata a mudança de comportamento social e principalmente do governo – do deboche ao desespero, pelo país ser o novo epicentro da infecção no mundo.

    Além de reforçar a estratégia do distanciamento social, o prefeito apresenta as ações para reforçar a rede de saúde. Cachoeirinha, que não tinha UTI e nem respiradores, terá seis leitos de UTI e oito respiradores em um hospital de campanha.

    – Em tuitada de amiga que indicava o filme O Poço, Miki Breier comentou: parei no meio. No meio do filme? Se for no poço metafórico: ou estamos no meio subindo ou descendo? – perguntei.

    – Comentei sobre o filme, mas... (risos). Já viu? É muito pesado para esses dias! Em relação ao outro poço, estamos agindo para não cair.

    Siga o que mais o prefeito disse em entrevista ao Seguinte:.

     

    Seguinte: – Que informações há sobre o primeiro caso de COVID-19 registrado em Cachoeirinha.

    Miki Breier – É uma profissional da saúde de 42 anos, que mora em um condomínio de Cachoeirinha e buscou atendimento em Porto Alegre. Está em quarentena a 10 dias, sem sintomas mais graves. A secretária estadual da Saúde Arita Bergmann me ligou para informar e estamos buscando mais informações. Agora nossa Secretaria da Saúde vai monitorar o isolamento domiciliar. Das 43notificações, 29 foram descartadas e 14 estão em análise. Tínhamos a expectativa de que era questão de dias, horas um caso confirmado. Houve o caso de servidora da nossa Secretaria de Gestão e Governança que mora em Gravataí, e de colega que também deu positivo e mora na zona sul de Porto Alegre...

     

    Seguinte: Essa servidora moradora de Porto Alegre estava no mesmo cruzeiro pela costa brasileira que a paciente confirmada de Gravataí?

    Miki Breier – Sim.

     

    Seguinte: – Qual a condição clínica do vice-prefeito Maurício Medeiros, que também viajou no cruzeiro? Há resultado do teste?

    Miki Breier – Falamos diariamente. Ele está bem, em isolamento domiciliar, teve apenas sintomas leves. O resultado ainda não saiu, mas o da esposa dele sim, e negativou.

     

    Seguinte: – Foste testado?

    Miki – Não porque não tive contato com o Maurício e não apresento nenhum sintoma.

     

    Seguinte: Muda algo na estratégia da Prefeitura, ou o primeiro caso impactará mais na sociedade, que percebe que o vírus não tem fronteiras?

    Miki – A estratégia segue àquela recomendada pelo Ministério da Saúde, pela Organização Mundial da Saúde e adotada em todos os países que estão enfrentando a pandemia. Cachoeirinha foi o primeiro município a suspender as aulas na região, a emitir decretos para permitir o distanciamento social. Desde o início estou assustado porque converso com amigos na Itália e nos EUA. O Sérgio Zolin e a esposa Maria da Graça Dambrós, que trabalhou comigo na Secretaria do Trabalho e Assistência Social do Estado, amigos que há dois anos visitei em Cagliari, e o João Guilherme, colega de seminário que reside na Califórnia, me enviam áudios, vídeos, imagens terríveis e fazendo apelos para que Cachoeirinha fosse preparada para o pior. Muitos podem perguntar: mas, decretar calamidade pública sem casos? Não somos uma ilha. Gravataí tem casos, Viamão, Alvorada, Canoas, Porto Alegre já tem óbitos! Agora Cachoeirinha registra um caso. É fato que todos que menosprezaram, ou até ironizaram o impacto do vírus, se arrependeram, como o primeiro ministro inglês, o presidente Trump e, frente a mais tragédia, o prefeito de Milão. Todos admitiram: “errei”. Por que, sabendo de tudo isso que aconteceu semanas antes, e ainda acontece em outros países do mundo, não tomaríamos providências para proteger nossa comunidade?

     

    Seguinte: Há pressão, tanto para o ‘abre tudo’, mas também pelo ‘fecha tudo’. Trabalhas com prazos para o distanciamento social?

    Miki – Parece que se criou um falso debate: ou se cuida da vida, ou do emprego! Mas um depende do outro. Não há como, ao perceber uma pandemia parar o mundo, deixar de tomar providências aqui, em uma cidade encostada na Capital do Estado, achando que também não vamos sofrer. Sistemas de saúde de todo mundo colapsaram e é um problema de tende agravar. Ontem tive reunião com o CIC (centro das indústrias) e a ACC (associação comercial) e foram sensíveis em não incentivar uma carreata. A campanha #MilãoNãoPodeParar aconteceu em fevereiro. Sob pressão das indústrias do turismo, da moda, o prefeito cedeu. Agora pede desculpas, porque é ele quem empilha corpos. Onde estão os que apoiaram a campanha?

     

    Seguinte: – O presidente da República Jair Bolsonaro trata uma pandemia como ‘gripezinha’...

    Miki – Do presidente nem falo, porque é um caso fora da curva. Mas acho que o governador poderia ter assumido mais responsabilidades, e não lavado as mão e deixado quase tudo com os prefeitos. Cachoeirinha seguirá as orientações do Ministério da Saúde, dos especialistas, dos epidemiologistas. Podemos quebrar, mas salvaremos vidas. A prioridade agora são as vidas, depois retomaremos a economia. O governo federal anuncia de R$ 600 a 1200 para os mais pobres, autônomos, o BRDE sinaliza com ajuda para micro e pequenos empreendedores, tem redução de cheque especial, estamos suspendendo juros e multas, prorrogando prazos de pagamento. A mão do estado está sendo estendida. Mas teremos todos que abrir mão de algo. Não é alarmismo, pessimismo, é a realidade: o pior ainda está por vir.

     

    Seguinte: – Até o dia 6, comércio fechado?

    Miki – Sim. Dia 3 teremos reunião da Granpal (associação dos prefeitos da Grande Porto Alegre, que preside). Há uma tendência de politizar até doença, pessoas que não são especialista observam que nossa realidade é diferente do frio de Milão, de Nova Iorque, mas, aqui no Rio Grande do Sul, por exemplo, teremos temperaturas baixas em junho, julho... O ministro Mandetta (Luiz Henrique) não abre mão do isolamento. Por vezes, flexibiliza o discurso, para diminuir a tensão com o presidente, mas confirma que o Ministério da Saúde segue firme na estratégia do distanciamento social, ficar em casa. O Gabbardo (João, secretário executivo do MS e ‘número 2 da Saúde) foi meu colega no governo Sartori e é extremamente técnico e responsável. A pressão é inevitável, de empresários para abrir, mas também de muitos trabalhadores preocupados com o vírus. Nossa responsabilidade é ouvir especialistas e aprender com os exemplos do mundo.

     

    Seguinte: – O Informe Epidemiológico do RS de domingo mostrou que os infectados pela COVID-19 eram 1 entre 5 e 9 anos; 1 entre 10 e 14 anos; 5 entre 15 e 19 anos; 27 entre 20 e 29 anos; 40 entre 30 e 39; 30 entre 40 e 49; 4 entre 50 e 59; 35 entre 60 e 69 e 13 entre 70 e 79. A paciente confirmada hoje em Cachoeirinha tem 42 anos. Os casos de Gravataí têm 41, 45 e 53, abaixo dos 60 anos. Os dados influenciam na estratégia da saúde local?

    Miki – Acredito que apenas reforçam as medidas e o apelo para compreensão individual da necessidade do isolamento. Os casos estão começando a aparecer, preocupam e, infelizmente, sensibilizam mais que qualquer informação de prevenção...

     

    Seguinte: – Preocupa a subnotificação de casos, já que há uma semana o protocolo do RS é testar apenas hospitalizados? Cachoeirinha recebeu testes do Ministério da Saúde?

    Miki – Nas lives muitos perguntam: por que Cachoeirinha não faz testes? Não recebemos testes o suficiente. E, mesmo quando, e se chegarem, os resultados precisarão passar por contraprova do Lacen (Laboratório Central do Estado). Certamente a testagem em massa comprovaria dezenas, milhares de casos no Brasil, no Rio Grande do Sul e também aqui, em Cachoeirinha. Por isso nosso esforço em preparar a rede de saúde para receber pacientes.

     

    Seguinte: – O Padre Jeremias, único hospital de Cachoeirinha, não tem UTI, nem respiradores. A UPA também não. Qual a estratégia para enfrentar a COVID-19?

    Miki – Estamos instalando um ‘hospital de campanha’ no ginásio municipal. São 60 leitos, 40 de enfermaria e 20 com isolamento. Destes, seis com estrutura de UTI com respiradores, e também compramos mais dois respiradores para a UPA. De zero, temos oito. Estamos tentando viabilizar mais, mas está difícil de achar no mercado. Os EUA estão obrigando a GM a produzir respiradores, Nova Iorque esgotou a capacidade... Rezamos para não ter que usar toda essa estrutura.

     

    Seguinte: – Qual a estratégia nas portas de entrada das emergências?

    Miki – Estamos contratando emergencialmente profissionais de saúde, como médicos e enfermeiros, lançamos o aplicativo Cachoeirinha Contra o Vírus (clique aqui para acessar), onde a pessoa lista seus sintomas e médicos analisam e orientam a ficar em casa, procurar uma unidade de saúde, a UPA ou, em casos mais graves, o hospital de campanha. Em dois dias mais de 500 pessoas já enviaram dados para o APP que funciona 24h, em Android e iOS.

     

    Seguinte: – O hospital de campanha, que mostraste a montagem em live no Facebook dia 28, que o leitor assiste clicando aqui, estabilizará o paciente até encaminhar para UTI nos hospitais de referência para tratar COVID-19, Clínicas e Santa Casa, em Porto Alegre; e Universitário, em Canoas?

    Miki – É essa a orientação.

     

    Seguinte: – Os R$ 2 por habitantes anunciados pelo governo federal parecem insuficientes para tantos investimentos físicos e de pessoal na rede de saúde, além dos gastos com os equipamentos de proteção individual (EPIs), já que são milhares de máscaras por dia na rede.

    Miki – Fui secretário de estado, testemunhei decretos de calamidade, de emergência, que para dar retorno demoraram tanto quanto a próxima tempestade. Mas toda ajuda é bem vinda.

     

    Seguinte: – Então não há previsão para o dinheiro ser depositado na conta de Cachoeirinha?

    Miki – Ainda não. Estamos usando recursos próprios. Cada leito com respirador custa mais de R$ 100 mil. Calculamos neste primeiro momento um investimento de R$ 3 milhões no hospital, entre estrutura, recursos humanos, EPIs... O decreto de calamidade nos permite movimentar recursos do orçamento. Torcemos para que sejam suspeitos os efeitos da Lei de Responsabilidade Fiscal, porque estamos em um percentual acima e já tomei a decisão de contratar.

     

    Seguinte: – Quais os canais para empresários e comunidade colaborar com a Prefeitura no enfrentamento da crise do coronavírus?

    Miki – Criamos o Comitê da Solidariedade. Estamos pedindo principalmente cestas básicas, pelos telefones 98124-4498, 34715939 e 34418700. Desde sexta recebemos 300 cestas básicas, que já entregamos.

     

    Seguinte: – Quais os critérios?

    Miki – Estamos seguindo o cadastro dos Cras (centros de assistência social), e uma lista que diretoras de escola fizeram de crianças carentes, cuja merenda era a principal refeição do dia. Pedimos que, dentro do possível, doações sejam centralizadas no Comitê, ou nos avisem para quais famílias foram feitas doações. Também estamos recrutando voluntários como médicos, enfermeiros, nutricionistas, para limpeza... já tem pessoas procurando, o que nos emociona. É só ligar para 98044-8619.

     

    Seguinte: – E mais testes, serão comprados diretamente pela Prefeitura?

    Miki – Não compraremos. E os que chegarem do Ministério da Saúde precisaremos priorizar os profissionais da saúde. Não podemos perdê-los.

     

    Seguinte: – Hoje não há mais vacinas disponíveis contra gripe. Há prazo? Prosseguirá a estratégia de vacinar idosos em casa?

    Miki – São 18 mil idosos em Cachoerinha e até agora recebemos e aplicamos 7,7 mil. Quando chegarem mais doses, seguiremos a vacinação em casa. Até 9 de maio todos serão vacinados.

     

    Seguinte: – Como avalias o uso da pandemia pelo baixo clero da política de Cachoeirinha?

    Miki – Não tenho acompanhado. É um momento incomum, precisamos de união. Perguntaram-me o que acho sobre ter ou não eleição, mas nem penso nisso. Estamos fazendo o temos que fazer.

     

    Seguinte: – Deixe uma mensagem à população de Cachoeirinha.

    Miki – Tenhamos responsabilidade de respeitar o isolamento neste momento. Não criemos a falsa dicotomia de que uns são a favor da vida e outros da economia. Vamos passar juntos por isso. Peço que todos fiquem em casa e os idosos redobrem os cuidados. Tenho minha mãe, Ives, com 75 anos, e a sogra, Salete, com 63, e é perceptível a angústia delas por não poderem fazer as atividades que faziam. Mas vivemos uma guerra.

     

    A LIVE DA CONFIRMAÇÃO

    Assista clicando aqui a live em que o prefeito e o secretário da Saúde Dyego Matielo confirmam primeiro caso da COVID-19 em Cachoeirinha. Abaixo, os dois acompanhando a montagem do hospital de campanha.

     

     

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    Clique aqui para ler a cobertura do Seguinte: para a crise do coronavírus

     

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