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GRAVATAÍ, 14/10/2019

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    opinião

    I love you, Greta!; as políticas de Gravataí também sofrem

    por Rafael Martinelli | Publicada em 26/09/2019 às 21h17| Atualizada em 13/10/2019 às 18h46

    Ao ler o artigo O machismo daqueles que atacaram o discurso de Greta Thunberg na ONU,publicado no Justificando, site nacional especializado em coisas da justiça, que tem por slogan “mentes inquietas pensam Direito”, fiz um exercício que sempre faço: transpus o episódio para a aldeia.

    Empatia é o nome dessa faculdade que nos diferencia, ou não, dos psicopatas.

    Um pouco de contexto e, depois, análise.

    O artigo de Jana Viscardi cita o início do texto Linguagem e o lugar da mulher, da pesquisadora Robin Lakoff, que diz que “a marginalidade e impotência da mulher é refletida tanto em como se espera que as mulheres falem quanto na forma como se fala sobre as mulheres”.

    Pasmem: artigo de 1973.

    Viscardi analisa as reações ao discurso da menina de 16 anos na convenção do clima da ONU.

    Até nos elogios há evidências da cultura machista.

    – Pequena indomável!

    Afinal, mulheres ‘naturalmente’ devem ser domadas.

    O, ao menos nas últimas 24 horas, desempregado, Gustavo Negreiros, chamou a sueca de “histérica” e “mal-amada”.

    De um radialista caça-cliques, provavelmente mais candidato a um Gadoo do que ao PTinder, nada surpreendente.

    Sintomático foi o ‘maluco beleza’ do Eduardo Jorge, do Partido Verde, dizer que a adolescente substituiu “a paixão pela raiva na sua fala na ONU”.

    Fumemos sem tragar, então.

    Como bem alerta Viscardi, a crítica ‘modo Idade Média’, cujo sinônimo de indomável é ‘bruxa’, feita à forma de Greta se expressar, diz muito sobre o papel da mulher em sociedade.

    – Aquela que expressa emoções diferentes de doçura ou que demonstre fragilidade, é lida como indomável. Raiva, indignação, firmeza. Não importa. 

    Ela ensina aos que não tem paredes nos ouvidos:

    – Por isso, vou dizer a vocês: é difícil para uma mulher encontrar esse tom ideal de que falam os rapazes que indiquei acima. Dilma era “durona demais”. Não era bom. Greta expressa raiva. Também não é bom. Quando a mulher expressa sua opinião, diz-se que ela fala demais (e há estudos que mostram que, na verdade, mulheres não falam mais que homens, mas, ao falarem, são vistas como verborrágicas).

    E conclui:

    – Dessa forma, o único caminho possível parece ser o da doçura e da parcimônia, que a mantém na marginalidade, nas franjas da história, como já de costume.

    Voltemos à nossa 'capital do mundo’, que é onde vivemos e labutamos. Não são óbvios os exemplos, mesmo mesmerizados numa inesquecível falta de memória, que os políticos tanto apostam?

    Em Gravataí, uma mulher chegou ao poder com a maior votação da história. Dois anos e 11 meses depois – é claro que em um momento em que a lei não previa mais eleição direta, e sim indireta, na qual os políticos alheios à qualquer movimento popular sublimariam um golpeachment – nove homens, e uma mulher, cassaram o mandato de Rita Sanco, que tinha sido chancelado por 68 mil votos!

    – A Rita não tem jogo de cintura.

    – A Rita é honesta, mas não sabe fazer política.

    Não faltava, é claro, a misoginia penetrante:

    – Ela faz tudo o que diz o Alex Borba (secretário da Fazenda)!

    Na história mais recente, candidatas à Prefeitura foram bruxas da aldeia.

    As redes sociais vomitaram baixarias e ataques pessoais questionando a capacidade de Rosane Bordignon, quando ela foi mal em um debate na TV.

    – É o Bordignon que vai mandar – diziam outros, talvez como desejadas projeções holográficas do marido, Daniel, mesmo que a professora seja uma inteligentíssima militante política desde adolescente e foi quem chegou para conversar sobre a 'luta' com o colega num acampamento de greve do Cpers, em frente à Assembleia Legislativa.

    – Anabel é teimosa, faz só o que ela quer – diziam, sobre Anabel Lorenzi, a ‘mulher do Miki’, mesmo que tenha sido ela a evangelizar o hoje prefeito de Cachoeirinha Miki Breier, com o “na dúvida, fique ao lado dos pobres”, de Dom Pedro Casaldáliga.

    Aí, se errado deu a campanha foi porque a professora não ouviu homens que estavam ao seu lado, fossem incapazes ou capazes de tudo.

    Patrícia Bazzoti Alba, primeira-dama do prefeito Marco Alba, concorreu a deputada estadual e sua bondade, empatia e vontade de se relacionar com todo mundo, seja rico ou pobre, transformou-a na campanha na ‘Miss Sorrisinho’.

    Advogada, por seu estudo e pesquisa artífice de ações que atrapalharam a campanha de Daniel Bordignon e levaram à anulação da eleição de 2016, que permitiu a reeleição do marido em 2017, não encarnava a ‘bela, recatada e do lar’. Certa, ou errada, fustigava Marco a apoiar Jair Bolsonaro ainda no primeiro turno, o que só conseguiu no segundo.

    Volto no tempo e lembro a vereadora Tânia Ferreira.

    – Essa é louca – ouvia eu, menino, fingindo um sorriso em um silêncio que hoje não cometeria frente a chucros e boçais.

    Olhemos a ferradura, seja na GloboNews ou na esgotosfera. De um lado Maria do Rosário, de outro, Janaína Paschoal. Não há análise que não avance para ofensas muito além da crítica política ou das ideias!

    Viscari desenha:

    – Isso vem de longe, a forma como categorizamos indivíduos e enquadramos seus comportamentos “aceitáveis”. Às meninas, sugerimos que sejam educadas, que sejam simpáticas, que sorriam. Essas características, que não estão necessariamente na língua, mas a acompanham, moldam o nosso entendimento de mundo. São enquadramentos definidores de nossa participação em sociedade, e da participação das mulheres na sociedade. Assim, historicamente, durante anos o lugar da mulher foi o lugar ora do silêncio acolhedor ora da doçura igualmente acolhedora. Mas, pasmem, essas molduras em que colocamos indivíduos e situações não são imutáveis. E graças à essa possibilidade de mudança, mulheres têm tido mais espaço para falarem, não só com doçura.

    Apesar de sempre receoso ao ocupar o lugar de fala do feminismo, comento sobre a polêmica não só por mania de opinar sobre o que influencia o Zeitgeist. É que convivo com uma asperger – ‘doente’ como a menina Greta. Testemunho a pureza por vezes inconsequente do amor a uma ‘causa’. E a dor da incompreensão quando essa ‘causa’ é óbvia. Como eles não sentem isso?

    Fuck You!, como disse o Guerrero frente à injustiça.

    I Love You!, Greta!, como a todas as crianças idealistas.

    I Love You!, Thiane Nunes!

    Ao fim, um frio “bom te ver de novo” sei nunca ouvirei de uma ‘Miss Aperger’.

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