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    eleições 2018

    Edir com a esposa Eunice Ohlweiler Oliveira, na montagem dos tapetes de Corpus Christi, em frente a Igreja Matriz

    OPINIÃO | Edir, ainda vítima da primeira delação da história

    por Rafael Martinelli | Publicada em 11/06/2018 às 16h07| Atualizada em 21/06/2018 às 14h53

    O motivo pelo qual ensaiou um retorno às urnas 12 anos depois é o mesmo pelo qual Edir Oliveira acaba de desistir de concorrer a deputado estadual.

    Ao ser absolvido pela justiça federal em abril do ano passado no episódio conhecido como máfia dos sanguessugas, o ex-prefeito de Gravataí e ex-deputado federal anunciou a candidatura como um ‘lava honra’.

    As insinuações que voltou a ser alvo e o ódio à política potencializado pelo denuncismo institucionalizado e o Grande Tribunal das Redes Sociais fizeram aquele que já foi o número 2 do PTB de Sérgio Zambiasi voltar atrás.

    – Hoje é praticamente impossível enfrentar tantas fakenews – resumiu em conversa agora há pouco com o Seguinte:, logo após enviar mensagem de WhatsApp comunicando a desistência aos amigos.

     

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    O político que teve o primeiro mandato de vereador conquistado há 46 anos, foi prefeito entre 93 e 97, deputado federal e secretário de Estado, confessa nunca ter testemunhado momento de semelhante desalento entre os eleitores.

    – O país está à deriva, as pessoas estão separadas. Parece não haver mais espaço para o centro, o equilíbrio. Esquerda e direita estão ganhando esse jogo de polarização, de guerra de narrativas. Isso é ruim para o Brasil. Até Lula para ser eleito precisou encarnar o ‘Lulinha paz e amor’. O que precisávamos é de um estadista, que estivesse acima de tudo isso. Um novo Tancredo Neves. Mas o que as pesquisas mostram é que será uma eleição de extremos em todos os níveis.

    Instiguei-o ao perguntar se o lavajatismo, a onda moralismo hipócrita e de outsiders vendendo a idéia de uma intraduzível ‘nova política’, não são responsáveis pela construção no imaginário popular de que só um mundo sem políticos é possível.

    Edir usou de outras palavras para concordar – ou pelo menos assim entendi. Experiente, sabe que hoje no Brasil ninguém pode ser impunemente explícito na crítica à República da Delação. Ou vira ‘defensor de bandido’, alcunha daqueles que sabem que não há democracia sem a sobrevivência da política.

    – O Ministério Público Federal atua como justiceiro e, com apoio do sensacionalismo da mídia, transforma suspeitos em culpados facilmente. É a Inquisição medieval. Basta um vazamento coberto pela imprensa para o político ir para a fogueira. Aí resta confessar até o que não fez, e apontar bruxarias dos outros, para reduzir a pena e ganhar um lugar no reino dos céus.

    Vítima da primeira delação da história da política brasileira, em 2006, ainda no ‘pré-Lava Jato’, o sobrinho do lendário Dorival de Oliveira estreou como suspeito-culpado em alto estilo, em denúncia no Fantástico, citado como um dos ‘sanguessugas’ envolvidos na ‘máfia das ambulâncias’ que trocava emendas parlamentares por propina. Na revista Veja, apareceu até o nome de parente seu, cujo crime era ter o mesmo nome de outro investigado.

    – Provou-se que nem a tal emenda apresentei – lembra, sobre a ambulância e equipamentos de R$ 300 mil que teria indicado para município gaúcho em troca de R$ 30 mil.

    A suspeita sugou sua credibilidade. Os 75.003 votos da eleição de 2002 caíram para 36.246 quatro anos depois. Muito possivelmente, após tanto tempo fora de cena, não seria eleito em 2018. Edir parece ter avaliado que é melhor continuar com sua vida modesta e na política de bastidores, que a vitória pessoal de poder estar nas urnas não valeria o desgaste. Não faltaria gente para postá-lo como um político corrupto, mesmo não tendo nenhuma condenação.

     

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