notcia bem tratada
GRAVATAÍ, 19/06/2018

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    A mãe PM, o wi-fi e a política em família

    por Rafael Martinelli | Publicada em 05/06/2018 às 16h07| Atualizada em 11/06/2018 às 16h37

    Siga o que está na coluna do jornalista Rafael Martinelli na segunda edição impressa do Seguinte:, que já circula com 10 mil exemplares de tiragem

     

    A mãe PM acertou. E você?

    O grande símbolo do Dia das Mães de 2018, pelo menos no Grande Tribunal das Redes Sociais, foi a policial militar que reagiu a um assalto na porta da escola da filha, em São Paulo, baleando o assaltante que depois entrou para a estatística dos mortos na Guerra do Brasil.

    O vídeo, que ganhou o mundo, já foi assistido – e comentado – por milhões de pessoas.
    Posso não estar certo, mas nos estilhaços do caso algo parece estar errado.

    Não na técnica, já que para especialistas, ouvidos do Seguinte: à GloboNews, a ação da PM, mesmo que de risco, aparenta ter sido correta. Agiu em legítima defesa, dentro de relativos padrões de segurança e, possivelmente, apavorada por mortes de colegas depois de identificados por bandidos como agentes de segurança.

    – Para o cidadão comum, a orientação em situações semelhantes é não reagir. Já policiais são treinados para, ao reagir, não colocar em risco a vida dos outros e a própria vida – explica o coronel Flávio Lopes, 35 anos de Brigada Militar e quatro comandando a secretaria de segurança pública de Gravataí.

    O experiente brigadiano assistiu ao vídeo uma série de vezes e observa movimentos que mostram que, mesmo com instantes para decidir, a policial seguiu protocolos de segurança.

    – A PM estava a menos de cinco metros, em uma distância onde era possível atirar sem preparar a mira. É o chamado tiro instintivo. Ela afasta outra mãe que estava com uma criança, permanece sozinha na linha de tiro e, é possível ver nas imagens, o revólver 38 do delinquente não estava engatilhado, o que eliminava o risco de um disparo espasmódico ao ser atingido. Após dominá-lo, a policial também agiu corretamente ao chamar o socorro.

    Enfim, pelos elementos que se tem até o momento, a policial agiu no cumprimento do dever e a morte do assaltante foi uma consequência. Mas, ‘que tiro foi esse?’ de reações nas redes sociais, com posts, memes e gifs de comemoração?

    – Coisas boas acontecem infinitas vezes mais do que coisas ruins. Alguém nasce, você respira. Mas isso, que é a realidade cotidiana de 8 bilhões de pessoas, não é notícia. Vivemos em uma sociedade com foco no sofrimento e onde tudo parece voltado a ganhar ou perder bens materiais, o que somado a desigualdade social leva ao aumento de todos os tipos de ações e reações violentas, na vida real e nas redes sociais – observa o psicólogo Gerson Jung.

    Inescrupulosos, políticos incentivam o show de horrores buscando cliques e votos. Ou o governador de São Paulo, candidato à reeleição, não encenou uma bizarra e demagógica peça de campanha ao expor, e homenagear a PM no Dia das Mães, coisa que não fez em outros casos análogos? É a retroalimentação do ódio e da intolerância, uma cultura de ‘bandido bom é bandido morto’ que tem mais a ver com vingança do que com justiça, mesmo que no caso em análise se trate de um covarde cujas incertas intenções ficaram no asfalto.

    – Não é fácil determinar se, ao fim dos acontecimentos, houve ou não justiça. Seria preciso analisar toda a vida pregressa e as oportunidades que teve o rapaz que restou morto – observa em off um dos mais experientes juízes gaúchos na ativa.

    – Como o Brasil tem o maior número absoluto de homicídios no mundo, mais de 60 mil ao ano, é compreensível que a imensa maioria da população festeje a morte de um bandido violento, o que é reforçado pela simbologia do fato de a autora ser PM e mãe, que, no momento da ação, aguardava o início da homenagem ao dia das mães feita pela escola da filha. Na moral de senso comum, pessoas ‘ruins’ merecem punição e, nessa visão, o assaltante teve o que mereceu, o que é comprovado lendo os comentários de qualquer portal que tenha noticiado o fato – analisa o sociólogo Fernando de Gonçalves, colunista do Seguinte:.

    – Mas uma homenagem/comício pode levar a que cidadãos sejam tentados a se tornar justiceiros, com consequências potencialmente trágicas para inocentes que podem ser confundidos com bandidos e, também, para os próprios aspirantes a heróis, que nem de longe têm o preparo e o autocontrole demonstrados pela mãe policial – observa, alertando também para os riscos do estimulo à “letalidade policial”:

    – A polícia brasileira mata demais, muitas vezes com os famosos ‘autos de resistência’ forjados, o que obviamente não foi caso de sábado, onde a policial foi irretocável. Mas, entre 2013 a 2017, o número de mortos pela polícia brasileira passou de 2202 para 5012 casos, ou seja, mais do que dobrou em apenas quatro anos. Nos Estados Unidos, que têm uma população maior do que a nossa e é visto como exemplo a ser seguido em questões de lei e ordem, a polícia mata pouco mais de 300 indivíduos a cada ano – compara, e conclui:

    – Mesmo com o aumento brutal do número de mortos pela polícia brasileira nesses quatro anos, as taxas de violência não diminuíram, inclusive aumentaram levemente. Ou seja, a solução popular do ‘bandido bom é bandido morto’ não está funcionando, muito pelo contrário.

    Sintoma do ‘justiçamento.com.br’ dos tempos atuais é que, um dia depois de mais um ‘preto, pobre e do crime’ ter sido enterrado aos 21 anos, pesquisa CNT mostrou que quase nove entre cada dez pessoas consideram o judiciário brasileiro pouco, ou nada confiável. Outros 90% não acreditam que a justiça aja igual para todos. Em resumo: ninguém mais parece acreditar no devido processo legal e de direito. A CNT não perguntou sobre Sérgio Moro, mas pesquisas anteriores permitem a leitura de que o juiz é visto como um alienígena num sistema desacreditado – com Supremo&tudo. No imaginário popular, um salvador da pátria, algo como um justiceiro contra os poderosos.

    Fuzilem-me, mas não comemoro morte. Entendo que a PM Kátia Sastre (identifico, agora que já atiraram o nome da cabo ao público, colocando-a, e também a outros policiais, em risco) agiu certo, dentro dos limites da lei. Erradas estão as verdadeiras milícias de políticos e ‘cidadãos de bem’ que regozijam com a tragédia de uma morte testemunhada por crianças.

    É a humanidade ferida.

     

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    E os 17 milhões não eram só para wi-fi nas praças

    Muita gente aumentou sua banda política espalhando a fakenews de que a Prefeitura de Gravataí estava gastando R$ 17 milhões para botar wi-fi grátis nas praças.

    E por duas horas apenas!, como detalhavam ‘notícias’, devidamente ilustradas com uma foto do prefeito Marco Alba e da primeira-dama Patrícia Bazotti Alba testando o serviço na praça central.

    O roteador da polêmica do Grande Tribunal das Redes Sociais linkou o suposto investimento milionário até com a vontade do prefeito Nelson Marchezan de, após um passeio pela Place de La Concorde, importar de Paris para as escuras paradas de ônibus de Porto Alegre tomadas para carregar aparelhos celulares.

    Marco acusou o golpe quieto e não lançou, como estava programado para a semana seguinte, o aplicativo onde a pessoa poderia baixar câmeras da praça na frente de casa para poder dar uma olhadas nos filhos e na vizinhança.

    Na sexta-feira, 18 de maio, o grosso dos R$ 17 milhões apareceu, como tinha sido anunciado no ‘dia do wi-fi’, mas ninguém leu até o fim nos textos e vídeos das mídias cujo único interesse é o público, como o Seguinte:, ou não se interessou em reproduzir no ‘notíciário’ dos grupos de Facebook.
    Já está funcionando o ‘Big Brother da segurança’, com 318 câmeras de vídeo instaladas entre ruas, praças e prédios públicos (postos de saúde e escolas) da cidade. A cada turno, cinco agentes da Guarda Municipal estão encarregados de alertar ou definir ações de policiamento a partir de uma central de monitoramento no Centro Administrativo Leste.

    A interligação é feita por 350 quilômetros de fibra ótica, pagos no pacote dos R$ 17 milhões que permite chegar a mil câmeras com uma tecnologia de identificação facial e de placas de veículos em imagens que ficam armazenadas por 30 dias para uso dos órgãos de segurança pública, como Guarda Municipal, Brigada Militar e Polícia Civil.

    Se você agora tem a informação correta, e ainda assim não concorda com o investimento, é um direito. Pelo menos duas entre cada 10 pessoas não apontam a segurança pública como prioridade em pesquisas feitas pelo próprio governo. E talvez considerem melhor botar esse dinheiro todo nas causas da violência, como a educação, por exemplo. Mas a obsessão pela segurança pública é um inegável sintoma dos nossos tempos. Para se ter uma idéia, os investimentos na Secretaria de Segurança dobraram de 2017 para 2018, em Gravataí: de R$ 7 milhões para R$ 15 milhões, inscritos no Orçamento de uma cidade que, no ano passado, em meio a uma guerra do tráfico, foi aos três dígitos em homicídios pela primeira vez na história.

    Ao fim, goste-se ou não, o play nas câmeras comprova que os R$ 17 milhões não eram só para duas horinhas de wi-fi nas praças.

     

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    EUA-Gravataí

    Assistindo ao imperdível documentário Bobby Kennedy for president, do Netflix, lembrei de como os envolvimentos familiares na política são comuns - voltam à Proclamação da República e vão dos States a Gravataí.

    Se lá, além dos Kennedys, John e Bob mortos, um presidente outro quase, houve os Bush pai e filho, mais Clinton e Hillary, por aqui já tivemos Nara, esposa de Abílio dos Santos, candidata a prefeita em 96; em 2017, quando Daniel Bordignon também foi impedido de concorrer, Rosane, a esposa recém eleita vereadora o substituiu; os agora ex-casal Anabel Lorenzi e Miki Breier são desde sempre candidatos; o vereador Dimas Costa teve a esposa Anna Beatriz eleita conselheira tutelar mais votada e será candidata à Câmara caso ele concorra a prefeito e, já em campanha, está Patrícia, esposa do atual prefeito Marco Alba.

    Bom que, em tempos de empoderamento, nenhuma é, ou foi, ‘esposa troféu’.

     

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    Do Pai Merdanelles

    Pai Merdanelles, aquele que faz previsões não na borra do café, mas na espuma da cerveja e na cinza do cigarro, baixa para avisar que não teremos aulas em janeiro deste ano nas escolas municipais: salários e greve congelaram.

     

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    Em Prometeus, haja Rivotril!

    Em Prometeus, uma das 67 luas de Saturno, é treta pequena ter Bolsonaros brabos com General. Choque mesmo é o Ministério Alien investigar parlamentares suspeitos de morder salários dos assessores e a Polícia da Federação investigar contas de campanha e outras cositas mas, para além fronteiras. Haja noite sem dormir e Rivotril!

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