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GRAVATAÍ, 06/08/2020

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    crise do coronavírus

    Pedro Moacir Oliveira ao receber alta hospitalar, em foto da técnica em enfermagem Marcela Espinosa

    O Pedro e mais 1,5 mil já foram atendidos em 30 dias hospital de campanha de Gravataí

    por Redação | Publicada em 09/07/2020 às 18h28| Atualizada em 09/07/2020 às 20h44

    O hospital de campanha de Gravataí, montado junto ao Hospital Dom João Becker (Rua Dr. Luiz Bastos do Prado), completa seu primeiro mês de funcionamento nesta sexta-feira. Inaugurado em 10 de junho, o local de aproximadamente 400 metros quadrados, situado nos fundos da unidade hospitalar, é uma das ações voltadas ao enfrentamento da COVID-19. O ambiente é referência para todos os pacientes com sintomas gripais e respiratórios em Gravataí. Ao todo, mais de 1,5 mil pessoas já foram atendidas e cerca de 80 foram internadas. Até a tarde desta quinta-feira (9), foram registrados dez óbitos.

    A estrutura temporária conta com central de triagem, quatro consultórios, sala de medicação, coleta de exames, posto de enfermagem e dez leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), todos equipados com respiradores e monitores multiparamétricos. Os primeiros quatro respiradores e monitores foram fornecidos pela Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre para que fosse possível iniciar os atendimentos na data da inauguração. Posteriormente, o Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde, encaminhou os equipamentos necessários para que todos os leitos fossem equipados.

    A unidade conta com atendimento simultâneo de três clínicos e um pediatra, 24h por dia. Outros setenta profissionais foram contratados provisoriamente. São auxiliares de atendimento, técnicos em enfermagem, enfermeiros, camareiras e recepcionistas.

    A Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, mantenedora e administradora do Hospital Dom João Becker, é responsável pela gestão do hospital de campanha. A projeção é que a estrutura seja mantida por um período de cinco meses (a contar da data da inauguração), com custo estimado em até R$ 9,5 milhões. O valor, custeado pela prefeitura, compreende investimentos em equipamentos, mobiliários, recursos humanos, insumos hospitalares, exames e todas as despesas oriundas da prestação de serviço em todo o período. Todos os equipamentos de terapia intensiva adquiridos ficarão, futuramente, como recurso disponível para o município.

    O superintendente do Hospital Dom João Becker, Antônio Carlos Weston, destaca que o hospital de campanha é fruto de um esforço conjunto entre a Santa Casa e a Prefeitura, imprescindível neste momento de maior demanda por atendimento a pacientes com o novo coronavírus.

    – O hospital de campanha chegou no momento certo, quando os números da pandemia começaram a crescer no Rio Grande do Sul. É um ambiente muito bem equipado, capaz de oferecer atendimento para casos leves, em que os pacientes podem ser atendidos e liberados para quarentena domiciliar, e para casos mais graves, em que é necessário o uso de respiradores, o que felizmente não representa a maioria.

    O hospital de campanha, de acordo com a normativa estadual, é um equipamento de assistência pré-hospitalar. Se durante o atendimento é detectada a necessidade de permanência por um longo período, o paciente é encaminhado para hospitais de referência no tratamento à COVID, como o Universitário, em Canoas, o Conceição, o Clínicas e a Santa Casa, em Porto Alegre.

    A clínica geral Camila Schardosim Nuñez trabalha de segunda a sábado na área de internação do hospital de campanha. Segundo ela, durante os primeiros quinze dias de funcionamento da unidade, a oferta de leitos nos hospitais de referência era alta.

    – Assim que um paciente apresentava resultado positivo era incluído no Sistema de Gerenciamento de Internações do Estado e logo era transferido. Nos últimos 15 dias, a situação mudou. A demanda foi aumentando e os hospitais de referência não estão mais conseguindo absorver todos os pacientes, que acabam recebendo assistência completa em Gravataí.   

    Desde o início do mês de julho, pacientes que apresentam quadro intermediário, ou seja, que necessitam de cuidados, mas não de tratamento intensivo, são encaminhados para o Pronto Atendimento Municipal 24 Horas (PAM 24H). Ao todo, o PAM 24H está operando com 18 leitos adultos e 11 pediátricos, exclusivos para pacientes do coronavírus.

    A médica informa que não são permitidas visitas no hospital de campanha, por isto a comunicação dos boletins de saúde dos pacientes aos familiares ocorre diariamente por telefone. A distância da família também é sentida pelos profissionais da saúde, que se veem distantes do contato com os familiares, vivendo em isolamento para não correrem o risco de infectar os parentes.

    – Percebo que toda a equipe tem um cuidado diferenciado com os pacientes internados no hospital de campanha, são 24 horas de atenção permanente. Assim como os pacientes estão longe das suas famílias, a equipe de profissionais da saúde também está distante de seus familiares. Talvez, por isto, tenhamos criado um laço diferente e uma relação forte de carinho – diz a médica.

    Desde que iniciou os atendimentos há um mês, o hospital já recebeu pacientes de diversas cidades: Alegrete, Alvorada, Cachoeirinha, Canoas, Caraá, Caxias do Sul, Glorinha, Guaíba, Jaraguá do Sul, Novo Hamburgo, Pelotas, Porto Alegre, Santa Maria, Santo Antônio da Patrulha, Sapiranga, Sapucaia do Sul e Viamão.

     

    Motorista ficou internado 9 dias

     

    O motorista aposentado Pedro Moacir Oliveira, 55 anos, esteve internado durante nove dias no hospital de campanha. Entre os sintomas apresentados estavam febre alta, falta de ar, diarreia, perda de paladar e olfato. Morador de uma chácara próxima a divisa com Glorinha, ele afirma que não sabe como pegou o vírus, pois vive em uma área rural isolada e tomava todos os cuidados necessários.

    – Nunca achei que pudesse estar com coronavírus. Comecei com febre, mas acreditei ser uma gripe. Passados alguns dias, minha vizinha me aconselhou a ir no hospital de campanha. Fui até lá, consultei com a médica e já fiquei internado. Durante todo o período em que estive lá, o atendimento foi muito bom, me senti muito bem tratado, todos faziam eu me sentir muito bem.

    Durante o período em que ficou internado, o paciente sempre se manteve consciente. Não foi necessário o uso de respirador, apenas de oxigênio. O aposentado recebeu alta na última semana. Ele está bem, se recuperando em casa e seguindo o tratamento com os medicamentos indicados.   

     

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