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    saúde pública

    Felipe Dalla Valle/Palácio Piratini

    O coronavírus a 70 km da região e autoridades de saúde definem como agir

    por Cristiano Abreu | Publicada em 10/03/2020 às 00h| Atualizada em 12/03/2020 às 11h38

    Após a confirmação do primeiro caso do coronavírus no Rio Grande do Sul nesta terça-feira (10), os gestores das secretarias de Saúde de Cachoeirinha, Gravataí e Viamão discutem novas estratégias para a prevenção. O objetivo é reforçar com a população que agora, com a proximidade do covid-19, os cuidados coletivos devem ser redobrados.

    No início da tarde, poucas horas depois de o governador Eduardo Leite e a secretária estadual da Saúde, Arita Bergmann, detalharem o caso do paciente de Campo Bom - distante apenas 70km da região - em entrevista coletiva, o assunto foi discutido pelo prefeito de Viamão, Valdir Jorge Elias, o Russinho, com integrantes da secretaria de Saúde do município. A informação foi repassada pela assessoria de comunicação, que não deu detalhes de quem participou e das medidas que serão tomadas.

     

    Escolas de Gravataí receberão instruções para prevenção

     

    Em Gravataí, o secretário da pasta, Jean Tormann, afirmou que todas as medidas necessárias já foram adotadas pelo município.

    – Nossa rede de saúde está capacitada para receber os pacientes com suspeita, e não faltam equipamentos para os profissionais. O importante neste momento é que todos estejam atentos aos meios de prevenção, e não estabelecermos o pânico – diz o secretário.

    Jean afirma que nesta quarta-feira uma nota com recomendações será distribuída para a rede de ensino. Segundo ele, o documento reforça a importância da correta limpeza dos equipamentos e ambientes escolares, a higienização adequada das mãos e o uso do álcool gel.

    – São medidas que já estão amplamente divulgadas pela mídia e órgãos de saúde – completa.

    Atualmente, quatro casos suspeitos envolvendo moradores de Gravataí estão sob investigação, conforme o último boletim divulgado pela Secretaria de Saúde do Estado.

     

    Protocolo de atendimento e capacitação em Cachoeirinha

     

    Desde o final de fevereiro, Cachoeirinha tem adotado ações para evitar uma possível disseminação do covid-19. Com a chegada do vírus ao RS, um plano de contingência será implantado pelo município, junto com a direção do Hospital Padre Jeremias. O protocolo descreve como deve ser o fluxo laboratorial de trabalho a ser aplicado a partir de agora no hospital, em postos de saúde e nas unidades de pronto atendimento (UPAs).

    Nesta terça-feira, os profissionais da saúde da rede pública participaram de uma formação realizada pelo setor de Vigilância Epidemiológica. O encontro, que já estava agendado antes da confirmação do caso em Campo Bom, servirá como base de orientação para as equipes das unidades de saúde do município.

    – Agora é fundamental que todos fiquem de olho no que há de verdade sobre a doença, para que saiba diferenciar uma informação falsa da verdadeira – afirma a enfermeira Gisele Cristina Tertuliano, da Vigilância Epidemiológica de Cachoeirinha.

    Até esta terça-feira, o município possuía um caso suspeito sob investigação, descartado no fim do dia.

     

    Estado pede apoio da população

     

    Conforme a secretária de saúde do Estado, Arita Bergmann, planos de contingência estão sendo atualizados e outros elaborados conforme normas recomendadas pela Organização Mundial da Saúde aos países com casos confirmados. Arita destacou que escolas estão sendo comunicadas sobre cuidados a serem tomados, e reforçou a importância da campanha de vacinação contra a gripe, com início previsto para 23 de março.

    Outra ação destacada é que o Laboratório Central do Estado (Lacen) recebeu capacitação para realizar os testes de casos suspeitos, antes feitos pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro. A medida reduz o tempo para obtenção dos resultados de até oito dias para até 48 horas.

     

    Quem é o paciente de Campo Bom

     

    O primeiro paciente confirmado com o coronavírus no Rio Grande do Sul é um empresário de 60 anos, que viajou a trabalho a Milão, no norte da Itália, no mês passado. O homem teve sintomas (tosse e febre) a partir de 29 de fevereiro e foi avaliado em uma clínica particular. Ele foi colocado em isolamento domiciliar, e nenhum familiar apresentou sinais da doença.

    Atualmente, estão sendo investigados 86 casos suspeitos de infecção pelo covid-19 no RS. No total, até agora, 190 casos foram notificados, e 103, descartados. Até esta terça-feira, o Brasil tem 25 casos confirmados e 930 descartados, de acordo com o Ministério da Saúde.

     

    Cuidados

     

    - Na hipótese de suspeita de contágio, a primeira orientação é para que o paciente procure um médico e mantenha repouso em casa até o término dos sintomas.

    - É fundamental reforçar hábitos de higiene, como lavar as mãos com frequência, evitar o compartilhamento do chimarrão e colocar em prática a etiqueta respiratória, como tossir cobrindo o nariz e a boca com um lenço descartável ou na dobra do braço.

     

    Sintomas

    - O quadros de coronavírus geralmente são semelhantes aos de uma gripe.

    - Em torno de 15% dos casos evoluem para um patamar de maior gravidade, exigindo internação hospitalar. 

    - Geralmente, pessoas com outras doenças e sistema imunológico comprometido são as mais afetadas.

     

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