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GRAVATAÍ, 20/08/2019

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    história

    Padre Lívio Masuero é reitor do Seminário São José desde 2016 | GUILHERME KLAMT

    O seminário que é história em Gravataí

    por Eduardo Torres | Edição de imagens: Guilherme Klamt | Publicada em 14/03/2019 às 16h05| Atualizada em 26/03/2019 às 12h03

    Para quem passa pela Rua Adolfo Inácio Barcelos, já não se vê sequer uma indicação ao local que, por oito décadas, foi referência da cidade de Gravataí. É preciso avançar alguns metros pelo acesso, hoje asfaltado, desviar dos tapumes que erguem um imenso condomínio de luxo, e lá está o antigo casarão, cercado pela vegetação e pelo silêncio contrastando com o centro da cidade. Mantém a mesma imponência projetada pelo então arcebispo de Porto Alegre, Dom João Becker, sem nenhuma alteração arquitetônica desde sua inauguração, em 1938, o Seminário São José. Na próxima terça — dia de São José —, o local que já formou mais de 30 bispos, segundo os cálculos do atual reitor, padre Lívio Masuero, completa 81 anos. Neste domingo, haverá festejos após a missa.

    — As pessoas podem pensar que o seminário foi reduzido após a venda de parte do terreno para a construção de um condomínio, mas não foi isso o que aconteceu. O seminário não diminuiu sua importância na formação de jovens na vocação. Ele apenas adaptou-se às atuais necessidades e à mudança dos tempos. Quando foi criado, este local ficava na zona rural de Gravataí. Agora, estamos no centro da cidade — diz o reitor.

     

     

    São pouco mais de 10 hectares e o prédio que hoje mantém 12 seminaristas. Na década de 1950, quando houve o auge da procura de jovens pelo seminário, chegou a se ter o registro de 300 alunos.

    — Isso na abertura do curso, ao longo do ano, ia diminuindo. Os padres costumavam dizer: espera até a Páscoa, como uma brincadeira, porque era aquele período em que dava a saudade de casa, e muitos desistiam — conta o padre Lívio.

     

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    Na época, a área do seminário se estendia até parte do atual Rincão da Madalena. Eram 300 hectares com criação de gado, porco, galinha, ovelha e plantação. A comunidade que vivia ali era auto-sustentável. E era este o objetivo a arquidiocese ao criar este local de formação em Gravataí.

     

    : Dom João Becker projetou o seminário em Gravataí, na década de 1930 | REPRODUÇÃO

     

    Até então, toda a formação de padres acontecia em São Leopoldo, mas era preciso descentralizar.

    — Coincidiu com os 25 anos de arcebispado de Dom João Becker, na década de 1930, esta decisão. A área foi adquirida nesta cidade, pela qual o arcebispo tinha muito apreço. Hoje, certamente o casarão do seminário está entre os cartões-postais da cidade — valoriza o reitor.

     

    Erguido em um ano e meio

     

    Dom João Becker não era natural de Gravataí. Nascido na Alemanha, veio para o Rio Grande do Sul e tornou-se padre. Até 1912, foi arcebispo em Florianópolis, e só depois de lá, assumiu a recém criada arquidiocese de Porto Alegre. Em Gravataí, ele tinha uma casa, justamente na área vizinha à escolhida para o seminário.

    No saguão estão registros que contam um pouco destes 81 anos. Destaca-se, além, é claro de Dom João Becker, um quase anônimo padre que, literalmente, ergueu a estrutura do Seminário São José. O monsenhor Leopoldo Neis, que era o  vigário-geral da arquidiocese na época, e hoje dá nome a uma das ruas do Loteamento Dom Feliciano. Cabe ao vigário comandar a igreja na ausência do arcebispo.

    — Foi graças ao empenho deste homem que o seminário foi erguido em tempo recorde até para os padrões de construção atuais. A pedra fundamental foi lançada em outubro de 1936. Em abril de 1938, estava pronto, e com a estrutura que mantém até hoje — valoriza o atual reitor.

     

    : Leopoldo Neis foi incansável até ver o seminário erguido, em 1938 | REPRODUÇÃO

     

    No quadro com a foto do vigário, está uma frase dele ao referir o seminário de Gravataí:

    “Cada grão desta casa, representa uma dedicação, cada prego, um sacrifício, cada tijolo, uma abnegação, e cada pedra, uma generosidade”.

     

    Entre a vocação e o ensino

     

    Na nomenclatura oficial, este é o Seminário Menor São José. A palavra menor refere-se ao estágio de aprendizado que aplicado ali. É uma espécie de ensino médio preparatório para o ensino superior de filosofia e teologia, que fazem parte da formação eclesiástica.

    Dos atuais 12 alunos, oito cursam o chamado período propedêutico, que é uma preparação entre o ensino médio e o superior. Outros quatro, cursam o ensino médio no Colégio São Francisco e, no seminário, recebem lições espirituais específicas para o ordenamento.

    Mas, afinal, por que só 12, se já houve 300 seminaristas em Gravataí?

    — Um dos aspectos considerados é histórico. A arquidiocese de Porto Alegre abrangia muito mais municípios do que hoje. E naquela época, a educação no interior era precária. Muitos meninos vinham para o seminário como uma forma de acessarem uma educação melhor estruturada, além de descobrirem a vocação. Além disso, era exigido o ensino do latim. O curso no seminário menor era muito baseado nisso, porque, se chegasse ao seminário superior sem este domínio, sofria — explica Lívio Masuero.

     

    : Seminário preserva as características do prédio há 81 anos | GUILHERME KLAMT

     

    Hoje, a maior parte dos alunos tem origem urbana, e a própria descoberta da vocação é diferente.

    — A decisão vocacional ficou mais tardia, e as decisões de vida, em geral, têm sido mais tardias. O tempo de estudo e formação é mais longo hoje em dia. Muitas vezes, nossos alunos descobrem a vocação, hoje, após o ensino médio, por exemplo — comenta.

    Masuero lembra que, décadas atrás, era muito comum que alguns jovens fizessem suas formações no seminário e não seguirem a vida religiosa. Com o passar dos anos, isso tem diminuído.

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