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GRAVATAÍ, 20/08/2019

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    Mais de mil agentes atuaram em toda a região em ação integrada da segurança | DIVULGAÇÃO SSPRS

    OPINIÃO | O dia em que o zapzap deu um brilho na ação da polícia em Gravataí

    por Eduardo Torres | Publicada em 09/03/2019 às 01h51| Atualizada em 15/03/2019 às 14h52

    Gravataí viveu uma sexta-feira com ares de Carlos Bolsonaro — o filho vereador do presidente, que passa mais tempo nas redes sociais do que no legisçativo municipal do Rio de Janeiro, onde tem mandato. Durante um dia inteiro, o diz-que-me-disse, sempre natural ao ver um monte de agentes fardados, ganhou proporções de quase escândalo, graças aos dedinhos nervosos nos grupos de WhatsApp. De repente, Gravataí era o centro de uma operação super organizada contra grandes chefões do crime organizado que despejam mercadorias no camelódromo do centro da cidade. Hein?

    Não foi o bastante. A região central já estava parada mesmo, pela movimentação insandecida de policiais civis, militares e dos guardas municipais, todos alvoroçados, cada qual com a parte que lhe cabia do seu latifúndio em meio aos holofotes de olhares curiosos que o momento propiciava, e aí uma renovação do boato online bombou de vez o medo — que é disso que que os seguidores da "fuxico" do Carlos Bolsonaro mais se alimentam. A mensagem, que chegava em áudio nos grupos do zapzap, era clara: assaltaram o Banrisul do Centro, e tem reféns!

     

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    O boato cresceu tanto, que, acreditem, a polícia o fez ainda maior. Um dos agentes envolvidos na Operação Integrada, uma espécie de cartão de visitas midiático da área da segurança no novo governo estadual, confirmou que foi feito o pedido para que um dos três helicópteros — sim, o objetivo da megaoperação era chamar a atenção — mobilizados pela Região Metropolitana sobrevoasse a área e checasse se havia, pelo menos, um fundo de verdade no tal roubo. Pronto. Dezenas de homens fardados fazendo abordagens em toda parte da área central, um helicóptero sobrevoando...

    Para fechar o cenário desejado pelos propagadores de fake news, só faltaram os snipers cariocas.
    Um secretário da região fez questão de aumentar a seriedade sobre o que acontecia em 34 municípios da Região Metropolitana:

    — É coisa grande, contra organizações criminosas — disse, sussurando ao telefone.

    Um delegado da região, questionado sobre cada ponto da fofoca que aumentou a cada compartilhamento, deu risada. Mas não minimizou o que realmente aconteceu durante toda a sexta-feira.

    Foi a primeira ação integrada, envolvendo Polícia Civil, Brigada Militar, Bombeiros, Guardas Municipais, Receita Federal, Polícia Rodoviária Federal, Susepe, IGP... e a lista de órgãos de segurança municipais, estaduais e federais foi longe, como forma de dar o início ao Programa RS Seguro, lançado pelo secretário da Segurança, Ranolfo Vieira Júnior. Ao todo, entre 34 cidades da região, foram mobilizados 1,3 mil agentes, 800 viaturas e três helicópteros. Ao todo, conforme a assessoria da SSP, foram 200 pontos vistoriados.

    Entre os focos das ações estava, realmente, o combate ao comércio ilegal. No camelódromo de Gravataí, diz a polícia, não houve nenhum volume significativo de produtos apreendidos. Em Cachoeirinha, dizem, nem a tiazinha que vendia CDs piratas escapou da ação enérgica de guardas municipais com armas em punho.

    Depois das ações contra comércio ilegal, ou mais uma dura com grife de ação integrada, o foco foi nas barreiras de trânsito e abordagens em bairros considerados mais violentos e nas áreas centrais das cidades. Aí, os dedinhos nervosos do zapzap mudaram de ânimos. Enquanto o thriller do grupo do zap era a "caçada ao Pablo Escobar" das muambas, ou o "cerco aos cangaceiros" dos bancos, aplausos e torcida para que algum sniper se utilizasse da posição privilegiada no helicóptero para "abater o vagabundo". 

     

    : Barreiras que chegaram a trancar a Ponte seguiram noite adentro | DIVULGAÇÃO SSPRS

     

    Quando a movimentação policial trancou o trânsito na entrada de Cachoeirinha, pela Ponte, o relato do zapzap perdeu a graça. Ora, o que esses policiais estão achando? Trancar o trânsito uma hora dessas? Deve ser a indústria da multa? Apitavam os sininhos dos celulares dentro do Sogil lotado. Alguma nova tese certamente surgiu em algum grupo menos popular.

    O governador Eduardo Leite (PSDB), que acompanhou toda a operação no Centro Integrado, onde ficam as imagens das câmeras de monitoramento, gostou. Disse: 

    — A ação serviu para que a população veja que as forças de segurança, sejam da esfera que for, estão nas ruas para fazer cumprir as regras.

    A promessa do Gabinete de Gestão Integrada da Região Metropolitana é de que ações como a de sexta se repetirão. Que novamente sejam pacíficas, sem o "brilho" das fake news. Vai que algum vereador local acabe se inspirando no filho do presidente e resolva cumprir expediente como propagador de fuxicos ameaçadores.
     

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