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    refugiados

    Daniel Medina chegou com esperança de recomeçar sua vida | EDUARDO TORRES

    Daniel e os primeiros venezuelanos de Cachoeirinha

    por Eduardo Torres | Publicada em 25/09/2018 às 18h20| Atualizada em 04/10/2018 às 11h52

    Daniel Medina, 28 anos, já botou o pé para fora do ônibus com o sorriso largo que só quem está cansado de buscar refúgio pode ter ao encontrar um lugar que o acolhe. Estendeu o braço e cumprimentou o prefeito de Cachoeirinha, Miki Breier. Não poderia ser mais simbólico para o momento em que o prefeito não deu ouvidos aos intolerantes das redes sociais. Natural de Caracas, Daniel é homossexual, e foi, oficialmente, o primeiro venezuelano recebido na cidade que fica a quase sete mil quilômetros da sua Caracas. No final da tarde desta terça, chegaram 40 venezuelanos à cidade. Na quinta, chegam outros 40. 

    — A cidade é de todos. De todas as orientações e etnias. Teremos seis integrantes da comunidade LGBT e todos serão muito bem recebidos, tenho certeza. Eu defendo até mesmo que nem exista o termo estrangeiro, porque vivemos todos na mesma aldeia e merecemos as mesmas oportunidades — disse o prefeito, depois de apresentar o abrigo adaptado aos 80 venezuelanos, próximo da entrada da cidade.

     

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    Eles terão pelo menos seis meses para permanecer no local, recebendo uma ajuda de custo da ONU.

    — A situação no nosso país estava crítica, não tinha mais o que fazer. Para quem é homossexual, a crise piorou tudo. O preconceito e o desrespeito de todos ficaram muito maiores. Quando faltou alimento, trabalho, fui obrigado a sair de casa. O Brasil é uma esperança de recomeçar a minha vida e finalmente ajudar a minha família que ficou na Venezuela. Aqui eu vejo que tem menos preconceito também — desabafou.

    Daniel deixou Caracas em janeiro, ficou até julho em Cucuta, na Colômbia, e, sem alternativas por lá, seguiu o caminho de tantos outros conterrâneos, em direção ao Brasil, por Roraima.

    — Foi um mês em um abrigo por lá, mas aí não dava mais para ficar, então tive que dormir na rua. Até hoje ainda não consegui cumprir o que prometi para meu pai, sobrinho e minha avó, de enviar dinheiro quando conseguisse trabalhar. Cachoeirinha é uma esperança — diz.

     

    : O sorriso e o cumprimento do prefeito no desembarque na cidade | EDUARDO TORRES

     

    Depois de desembarcarem do ônibus que os trouxe do aeroporto, Daniel ouviu atento, ao lado do amigo de sacrifícios, Draules Flores, 25 anos, as primeiras instruções e as boas vindas à cidade. Esatavam sentados em cadeiras na área de convívio do abrigo, onde funcionará o refeitório nesta estadia. Draules caminhou por três dias sem parar de Pacaraima até Boa Vista, em Roraima, e não pensou duas vezes em atravessar o Brasil e encontrar trabalho por aqui. 

    Em um portunhol bem esforçado, Miki Breier avisou:

    — Sejam bienvenidos a Cachoeirinha. Nuestra ciudad ahora también es tu ciudad.

    Nos próximos dias, equipes de assistência social e de saúde do município visitarão o abrigo. Todos terão o cadastro único, que lhes dará direito aos atendimentos que qualquer cidadão de Cachoeirinha tem na rede pública.

     

    A igreja virou abrigo

     

    Aos poucos, os nomes eram lidos e os quartos onde ficarão apresentados. Daniel precisou de paciência. Foi o último nome lido. Quarto 13 será o dele e de outros seis venezuelanos neste período. Em um armário, está gravado com uma fita adesiva o nome: Medina, Daniel. Que sorriu outra vez.

    Quem também sorria era o Alex Lumertz, empresário da cidade e proprietário do imóvel que virou abrigo. Até sábado, ali funcionava uma igreja evangélica.

    — Quando eu soube desse chamamento da ONU, conversei com o pastor que estava usando o imóvel e ele concordou em mudar para uma salinha menor. Eu trabalho com alojamentos aqui e no Mato Grosso e lá eu vejo a dificuldade de pessoas que vêm de fora do país em situação miserável, precisando de uma oportunidade. Não pensei duas vezes em abrir as portas para recebê-los — diz.

    Em dois dias, dez quartos com 83 camas foram organizados. Caberá a Lumertz manter a parte hidráulica e elétrica das instalações. A limpeza e outras necessidades ficam por conta da ONU.

    E da porta para fora, o Alex Lumertz também já se mexeu.

    — Ah, mobilizei um monte de amigos empresários, proprietários de metalúrgicas, transportadoras, e todos estão dispostos a ajudar e dar emprego para o pessoal. É gratificante poder ajudar — afirma.
    O prefeito confirma que alguns empresários, inclusive, já procuraram o governo municipal oferecendo vagas. Quando o segundo grupo de refugiados chegar, os dados de todos serão organizados.

     

    : Venezuelanos receberam as instruções sobre o abrigo e conheceram seus quartos | EDUARDO TORRES

     

    Trabalho para recomeçar

     

    Na crise humanitária da Venezuela, a escassez de emprego igualou todos na falta de oportunidades. No grupo que vem para Cachoeirinha, segundo a prefeitura, há médicos, advogados e, a maioria, tem o ensino médio completo.

    Draules, por exemplo, é operador de máquinas pesadas. Está disposto a ser empregado na construção civil — ou onde surgir oportunidade. Daniel Medina tem um currículo recheado de experiência: no comércio, em guarda patrimonial, portaria, supermercado, escritório, além do curso de auxiliar em veterinária.

    — Eu sonho em voltar a estudar aqui e me qualificar ainda mais — diz Daniel.

    Eram quase 17h quando, finalmente, Daniel conseguiu relaxar no seu quarto, guardar a mochila que trazia presa ao corpo desde que chegou. Respirou fundo e parou por alguns minutos em silêncio. Olhava o vazio com a esperança de quem chega para recomeçar.
     

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