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    Às 6h, estações mudaram tratamento na água que serve Gravataí, Cachoeirinha, Canoas e Porto Alegre

    Por que a água está com gosto ruim, o que está sendo feito e as garantias para bebê-la

    por Rafael Martinelli | Publicada em 12/02/2018 às 15h14| Atualizada em 19/02/2018 às 17h13

    O bloco das reclamações com a Corsan no feriadão do Carnaval não é com a falta, mas com o gosto e o cheiro da água, que provoca uma enxurrada de postagens nas redes sociais.

    O Seguinte: ouviu há pouco o diretor da Corsan, que confirmou a alteração no gosto e cheiro da água em Gravataí, Cachoeirinha, Canoas e Porto Alegre.

    – Mas a água continua potável – garante Ramos Volnei Modinger, que explica que a companhia aguarda laudos, mas técnicos identificam como principal causador do problema a proliferação de algas provenientes do Rio Gravataí que, com as poucas chuvas e o calor, produzem substâncias que deixam a água com as características terrosas sentidas pelos usuários.

    – Desde às 6h desta segunda mudamos o tratamento na captação. Ainda há reclamações porque a água de reservatórios está sendo distribuída, mas logo o gosto vai diminuir com a mistura à nova água tratada – projeta.

    O tratamento das últimas nove horas consiste em, além de cargas de carvão aditividado, aumentar a quantidade e o tempo de aplicação de dióxido de cloro.

     

    Nota 9 para 7

     

    – Continuamos atendendo aos requisitos do Ministério da Saúde, mas as pessoas estão acostumadas a um padrão nota 9. Quando cai para um padrão nota 7, embora ainda esteja dentro dos parâmetros exigidos, os consumidores se queixam – disse há pouco à GaúchaZH o diretor de Tratamento e Meio Ambiente do Dmae, que também registra queixas sobre a água em Porto Alegre.

    Conforme Marcelo Gil Faccin, esses micro-organismos expelem duas substâncias que seguidamente afetam a água distribuída na Capital e na Região Metropolitana nos verões: a geosmina e o MIB (2-Metilisoborneol).

     

    Palavra de especialista

     

    Também à GaúchaZh, o coordenador do Mestrado em Virologia da Feevale Fernando Spilki concordou que as algas ou cianobactérias são as causas mais prováveis das mudanças percebidas na água, com base em episódios semelhantes ocorridos em anos anteriores. Ele acrescenta que, além dos fatores climáticos, a liberação de esgoto in natura em rios que abastecem o Guaíba – como o Gravataí – aumenta o problema.

    O especialista confirma que o consumo da água não configura risco, desde que passe pelo sistema de tratamento.

    – A água tratada adequadamente é segura. Mas, nesse período, deve-se evitar o consumo da água não tratada. Nesse caso, podem ocorrer problemas de saúde – avisa o especialista.

     

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    A NOTA DA CORSAN

    Nesta quarta, um dia depois da reportagem do Seguinte:, a Corsan divulgou nota oficial:

     

    Comunicado - Alterações nas características sensoriais da água não alteram potabilidade

    A Corsan informa que o odor e o sabor de terra na água observados por clientes de bairros de Canoas, Cachoeirinha e Gravataí deve-se à proliferação de algas no lago Guaíba. Não há prejuízo para a potabilidade. Para minimizar esses efeitos sensoriais, a Companhia já tomou as providências cabíveis, com maior dosagem de carvão ativado à água na estação de tratamento.

    A proliferação das algas deveu-se à combinação da incidência de sol, ao calor, à presença de nutrientes e ao movimento mais lento da água no manancial. A captação da água bruta servida a bairros desses municípios é realizada no Arroio das Garças, localizado em Canoas. Com a estiagem da última semana, o nível do arroio diminuiu, fazendo com que a água do Guaíba entrasse no leito do arroio, misturando as águas. A perspectiva é que, com as chuvas dos últimos dias, o sabor e o odor de terra desapareçam gradativamente.

     

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