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    Colégio é o mais tradicional de Gravataí e neste ano foi campeão do Enem e ficou entre 11 melhores da região metropolitana

    Pai polemiza ao denunciar bullying no Dom Feliciano

    por Rafael Martinelli | Publicada em 15/12/2017 às 17h25| Atualizada em 31/12/2017 às 15h26

    A postagem de um pai, feita há duas semanas denunciando a suspeita de bullying sofrido pela filha na mais tradicional escola particular e campeã do Enem de Gravataí ganhou proporções gigantescas dividindo comentários, compartilhamentos, curtidas, coraçõezinhos, uaus e grrs no Facebook.

    Como que exorcizando o que relatou ter acontecido com ele exatas três décadas no Dom Feliciano, o ótico teclou sobre a suposta negligência da escola em incidentes ocorridos com a filha de 8 anos e um coleguinha de sala de aula.

    – (...) história se repete, com a minha filha sendo vítima de bullying de uma forma reincidente pelo mesmo colega de classe. Com uma escola omissa e a parte parental mais ainda, hoje minha filha sucumbiu a estafa após agressão física. Dorme sob efeito de remédios aqui neste momento ao meu lado (...) – relata em trecho do post.

    Ao receber a reportagem do Seguinte: em seu local de trabalho, ele conta estar sendo vítima de assédio por ligações anônimas desde que fez o post. E corre os dedos pela tela do celular para ler inúmeras mensagens de solidariedade e relatos de acontecimentos semelhantes vividos por velhos e novos amigos, em diferentes escolas. Entre eles, até um bully relata o processo de transformação que sofreu após pedir desculpas a ex-colegas numa reunião de turma anos depois.

    Aos freqüentes comentários que respondeu sobre o porquê de colocar a filha na mesma escola onde relata ter tido experiências negativas na infância e adolescência, o pai evoca os valores cristãos:

    – Acredito nas pessoas, acredito que as coisas mudem. Achei que tantos investimentos e premiações poderiam ter mudado a escola. Vejo que outros valores são mais importantes. Bullying é coisa séria, muitas e muitas vezes leva ao suicídio.

    Ele critica a falta de atenção da direção e do corpo técnico do Dom Feliciano ao caso que caracteriza como bullying por se repetir por dois anos. Não há, conforme ele, interesse financeiro em buscar uma reparação da escola, mesmo que tenha criado um grupo de WhatsApp com outros pais e criado uma conta de e-mail específica para colher narrativas.

    – Mas estamos atentos ao comportamento da escola, que divulgou uma nota que soa ameaçadora – entende, se referindo à postagem assinada pela diretora irmã Jane Segaspini no site e no perfil de Facebook do Dom Feliciano, cuja reprodução está ao fim da reportagem.

    A nota foi publicada dois dias após o incidente. Pais chegaram a procurar a escola pedindo uma posição pública, conforme a orientadora educacional.

    Lisandréa Lindorfer, que recebeu o Seguinte: ao lado da assessora de comunicação, Ana Cristina Cardoso Braum, comanda um corpo técnico (de duas psicólogas e duas orientadoras educacionais) que faz o acompanhamento da vida escolar dos mais de 2,3 mil alunos. A acadêmica de psicologia informa um diagnóstico diferente para os acontecimentos.

    – Não foi bullying, porque bullying se caracteriza por um assédio repetido. Foram dois incidentes isolados, desentendimentos de crianças de 8 anos. Às vezes eles brigam – observa, garantindo a atenção rotineira da escola principalmente com os pequeninos, tanto dos professores em sala de aula, como no chamado Recreio Feliz, onde são propostas atividades para incentivar a integração, convivência e a socialização entre as crianças.

    O incidente entre a menina e o menino teria ocorrido num dos intervalos:

    – Estavam brincando de mamãe e filhinha e o menino disse para uma menina menorzinha que ela parecia o bebê. A menina que o pai diz ter sofrido bullying não gostou, brigaram e o menino acabou acertando o rosto dela. O outro incidente também foi uma briga na educação física. Crianças brigam às vezes. Não era para tanto, são duas crianças felizes.

    Conforme Lisandréa, a equipe da escola interviu no mesmo momento e o serviço de psicologia foi acionado.

    – As crianças fizeram as pazes, conversamos com todos, precisamos tomar uma medida que ninguém gosta, que foi suspender um menino de 8 anos por três dias, as famílias foram informadas e não houve nenhum questionamento. Acreditávamos que tudo estivesse resolvido. Fomos surpreendidos com a postagem, a repercussão e comentários maldosos – lamenta.

    A polêmica fez com que o Dom Feliciano colocasse o bullying como tema central do Projeto Trilhas, onde tradicionalmente a escola aborda questões sensíveis para a sociedade, como abuso infantil, violência e questões de gêneros, por exemplo.

    – Ninguém sabe tudo. A educação é um processo de construção. Humildemente, com nossos valores cristãos, estamos sempre buscando uma melhor escola. Mas por nenhum protocolo fomos negligentes. Lamentamos a exposição desnecessária, da escola e das crianças, quando o diálogo era o melhor caminho.

    O Seguinte: não cita o nome das famílias envolvidas para não expor as crianças. Confira a nota publicada pelo Dom Feliciano.

     

     

     

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