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    Arte por GORKA OLMO

    Vacinas para manter a saúde mental

    por Fabiana Moraes | Publicada em 16/02/2021 às 18h36

    O que a mente faz para se defender? Por que o stress causa inflamação? Cada vez é mais evidente a relação entre o sistema imunológico, o nervoso e nosso equilíbrio psicológico. O Seguinte: reproduz o artigo do psiquiatra e psicanalista David Dorenbau, publicado pelo El País

     

    A vacina capaz de frear a pandemia da covid-19 já está aqui. Falta pouco para que possamos receber as doses e colocar em funcionamento nosso sistema imunológico para nos proteger contra o vírus. O sistema imunológico exerce, além de outras tarefas, a missão de defender o corpo por meio de uma rede de células, proteínas e tecidos que operam numa relação recíproca com outros sistemas do organismo. A partir desse procedimento, é ativado um dispositivo de aprendizagem e as células passam a recordar os patógenos com os quais entramos em contato, formando uma memória que permite reconhecê-los e combatê-los no futuro. Esse sistema — capaz de detectar informações que não são acessíveis ao cérebro — poderia ser pensado como o repositório do substrato do inconsciente em nosso corpo.

    Cada vez é mais evidente a relação entre o sistema imunológico, o nervoso e o nosso equilíbrio psicológico. O cérebro não só recebe mensagens do sistema imunológico, como também seus sinais regulam as funções que controlam inflamações em outros tecidos. Segundo Kimberley McAllister, diretora do Centro de Neurociências da Universidade da Califórnia em Davis, as respostas imunológicas de uma rata fêmea antes de engravidar podem, se o sistema imunológico é ativado durante a gravidez, predizer a probabilidade de que sua descendência tenha deficiências de comportamento. McAllister propõe que essas descobertas poderiam ajudar a resolver qual papel as infecções graves desempenham durante a gravidez no desenvolvimento de condições como o autismo e a esquizofrenia. “Não conhecemos bem o que causa essas enfermidades, mas a infecção materna é um fator de risco que sabemos que contribui”.

    A imunidade tem um papel-chave na função cerebral — é rara a depressão psicológica que não se associa com uma depressão imunológica. Muitas moléculas atuantes na imunidade operam no cérebro, e vice-versa: as citoquinas são um exemplo de mediadores do processo inflamatório benéfico que, contudo, pode causar problemas. O estresse é o vínculo entre a inflamação e a depressão; ao ativar as citoquinas, ocasiona respostas inflamatórias. Como é possível que — na ausência de patógenos — sejam induzidas inflamação e depressão? Embora a longo prazo sejam danosos e imunossupressores, a resposta inflamatória, a vulnerabilidade à depressão e a hipervigilância do estresse evoluíram a partir de uma reação denominada “comportamento da doença” que permite combater melhor a infecção.

    Outro fator que facilita uma resposta ao estresse são os micróbios intestinais — em uma quantidade que pensam ser 10 vezes maior que a de células humanas em nosso corpo. A partir desta perspectiva ecológica, o ‘eu’ não pode ser concebido como uma entidade circunscrita, autodefinida. Alfred Tauber, filósofo especialista na história da imunologia, contextualiza ao apontar que, em uma fascinante inversão da mitologia do nosso corpo, encontramos o próprio sistema imunológico sendo, em parte, criado pelo microbioma residente. O organismo participa de uma comunidade onde outros contribuem para seu bem-estar.

    Os ataques contra a psique também ativam mecanismos de defesa inconscientes que a mente usa para se proteger. Essas respostas são o núcleo da teoria de Freud. Ana, sua filha, esboça elas em um artigo publicado em 1936. Nossas defesas apontam para gatilhos internos e externos, especialmente quando ameaçam a integração de si mesmo e a autoestima. Elas têm a função de nos proteger contra sentimentos e pensamentos inaceitáveis — como seria o da inevitabilidade da morte. Simplesmente tratar de nos distanciar não basta. A repressão é um componente comum neles — é uma operação da mente mediante a qual tentamos confinar no consciente os pensamentos, imagens ou recordações ligados a instintos que provocam angústia. Estes mecanismos podem reforçar a autoestima, minimizar a ansiedade e facilitar a adaptação. Geralmente eles são consideramos mais maduros quando promovem uma maior capacidade de adaptação. O soneto de Quevedo que começa com a estrofe “Retirado na paz de tal deserto. Com poucos mas doutos livros juntos. Vivo em conversação com os defuntos e com os olhos ouço os mortos” é um exemplo — há indicação de que pode ter escrito em 1642, enquanto lamentava a morte de sua esposa. Apesar disso, como aponta o psicanalista Juan David Nasio, quando o corpo mobiliza uma defesa mórbida e intensa, o perigo que se foi pela porta volta pela janela.

    O ‘eu’ e o estrangeiro estão entrelaçados. A psiconeuroimunologia incorporou teorias que nos ajudam a definir nós mesmos. O ‘eu’, diz Tauber, não é uma constante genética, é aquilo que dá suporte à estrutura genética do indivíduo e de sua história, enquanto ele está configurado ao longo de um caminho imprevisto.

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