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    3º Neurônio | ideias

    Crime brutal foi filmado no Carrefour da zona norte de Porto Alegre

    Aproveita e vem pra luta; Caso Carrefour

    por Luciane Ferreira | Publicada em 20/11/2020 às 16h24| Atualizada em 20/11/2020 às 16h32

    O assassinato de João Alberto Silveira Freitas não é diferente de tantos outros que já vimos por aqui. Mas para mim foi a que soou mais forte. Talvez por ser em Porto Alegre, anteceder o Dia da Consciência Negra, ou por hoje ser meu aniversário. Talvez por tudo isso. Mas principalmente por ver que a sociedade não evoluiu. Pelo contrário regredimos. E muito.

    Espero que os assassinos sejam punidos por homicídio doloso qualificado. Demorei a ter coragem para assistir a cena de assassinato ao vivo. Uma outra funcionária também filmou, será punida também? Não sabemos. E as demais testemunhas que filmaram e não tentaram interferir na brutalidade? Difícil dizer.

    O que me entristece é que passada a comoção das redes sociais, João possa virar apenas uma estatística. Nestas mesmas redes é possível ver questionamentos sobre o fato. Que era um “ser humano” e “não importa” o fato de ser negro. Estas pessoas acham que não são racistas. Não se dão conta que se João fosse branco isto não teria acontecido. Não se dão conta que na segunda década do século 21, negros não são vistos como humanos. Assim como na época da escravidão, que eram vistos como “sem alma”.

    Cresci em uma sociedade extremamente racista. Geralmente uma das únicas negras na sala de aula ou no local de trabalho. Apesar de fazer aniversário no dia 20 de novembro, só soube da importância desta data já adulta. Se tivesse crescido sabendo desta referência, talvez a infância e a adolescência tivessem sido mais fáceis. Talvez tivesse fortalecido a autoestima com relação aos traços e cabelos, muito importantes para uma menina. Ou talvez tivesse uma reação melhor com relação ao apelidos jocosos, que hoje chamamos de bullyng. É muito ruim não ter um modelo para se identificar.

    Enfim passei quase metade da vida sem ter referência positiva de negros e negras. O que hoje é até irônico porque muitas pessoas associam a data a mim. Talvez porque eu seja uma das poucas negras que convivem. E este fato já deveria acender a luz de alerta e questionar o motivo disso.

    Uma vez ouvi de um colega de grupo de jovens “mas os negros não fazem nada pra gente falar bem”. Também ouvi de um chefe de redação que não teria “coragem” de comer a comida deum chefe senegalês. Tenho contato com os dois até hoje. E poderia citar vários outros casos de pessoas que achavam que não me atingiriam falando estas coisas. Pois saibam que atingiram. Assim como o assassinato do João atinge a todos.

    Hoje vejo uma juventude negra mais empoderada, orgulhosa dos seus traços, ascendendo socialmente e lutando por seu espaço e que sua voz seja ouvida. Mas ao mesmo tempo vejo casos como o do João. E isto diz muito sobre quem somos e o momento em que vivemos. Falar de racismo é “mimimi”, “não sou racista, mas”, “consciência humana”, ser contra as cotas raciais. Se pensou algumas destas coisas, sinto muito você é racista. Ou se você não faz isto, mas de alguma forma se beneficia da condição de branco, saiba que você colabora com o racismo estrutural. Um racismo mais reforçado ainda pela política nefasta que está sendo implementada no país.

    Agora se de alguma forma o assassinato do João lhe causou mal estar, aproveita e vem pra luta. O combate ao racismo só terá êxito quando contar também com os não negros.

     

     

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