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    3º Neurônio | psicologia

    Que fazer diante do ‘phubbing’, quando sua companhia olha mais para o celular do que para você

    por Javier Cortés e Olivia López Bueno | El País | Publicada em 31/07/2019 às 14h30

    Uma de cada três pessoas que diz ter sofrido por esse problema menciona depressão como consequência. O Seguinte: reproduz o artigo publicado pelo El País

     

    Já teve a sensação de conversar com alguém que presta mais atenção ao celular do que ao que você está dizendo? Nesse caso, você é mais uma vítima do phubbing. É normal não ter ouvido falar disso antes. O estranho é não ter passado por isso. O termo vem da combinação das palavras inglesas telephone (telefone) e snubbing (ignorar).

    Um estudo publicado no Journal of Applied Social Psychology revelou que o phubbing ameaça quatro necessidades do ser humano: o sentimento de pertencimento, a autoestima, a existência significativa e o autocontrole das pessoas excluídas. Os pesquisadores apontaram que essa prática pode ser particularmente prejudicial, já que acontece com relativa frequência.

    Esta questão tende a piorar quando estamos com o nosso par. Em um estudo da Universidade Baylor, no Texas, 46% dos entrevistados reconheceram ter sofridophubbing por parte do parceiro. Um em cada quatro admitiu que esta situação resultou em discussões com ele e um em cada três disse que chegou a ficar deprimido por um tempo.

    “Com o nosso par costumamos ter muita confiança; isso nos faz cometer mais esse erro com ele do que com alguém que não conhecemos muito”, explica Silvia Álava, psicóloga da área educacional e escritora. Ainda assim, lembra que as telas podem desempenhar um papel muito positivo, desde que usadas corretamente. "O problema surge quando as usamos para evitar a outra pessoa, mas uma mensagem de Eu te amoComo você está bonita esta manhã ou Eu me lembro sempre de você pode ajudar o relacionamento."

    No entanto, os diálogos digitais não podem substituir a interação presencial e há momentos em que o contato cara a cara é essencial. “Uma conversa importante deve ter o espaço necessário, que é um espaço com proximidade física. Por questões fundamentais, deveríamos evitar até mesmo uma ligação telefônica, porque se perdem muitas nuances”, recomenda Álava.

     

    Tire o celular da mesa

     

    Para evitar cair no phubbing é importante consolidar bons hábitos. Um dos mais recomendados tem lugar na mesa das refeições, um espaço onde as telas têm mais capacidade de impor a distância ao casal. As pessoas que olham para seus celulares enquanto comem em companhia apreciam menos sua comida e se sentem menos envolvidas do que aquelas que preferem não usar a tecnologia à mesa, de acordo com um artigo do Journal of Experimental Social Psychology.

    As férias podem se tornar o momento perfeito para casais realizarem atividades diferentes e recuperar costumes perdidos que lhes permitam fugir das telas. E recorrer a dispositivos eletrônicos logo no começo pode ser um sintoma de que algo não funciona. O celular pode nos servir como um remédio contra o tédio em um determinado momento, mas corremos o risco de consolidá-lo como um refúgio para escapar de nossos problemas pessoais e de casal. “Às vezes, usamos o celular como chupeta emocional para não encarar o que estamos sentindo”, diz Álava.

    A psicóloga não considera necessário adotar uma solução radical, como desligar o telefone, e propõe estabelecer metas que possam ser cumpridas. "Podemos reservar momentos a sós com nosso parceiro, sem interferência da tecnologia", exemplifica. "Deixar as telas de lado por meia hora ou uma hora por dia e nos dedicarmos exclusivamente a conversar."

    O simples fato de enviar mensagens de texto enquanto estamos numa conversa faz com que esta seja menos satisfatória, de acordo com um artigo publicado na Computers in Human Behavior. Ter o telefone facilmente à mão pode nos trazer problemas: nosso celular é capaz de distrair nossa atenção mesmo quando está desligado. Outro estudo, da revista acadêmica Journal of Social and Personal Relationships, descobriu que quando há uma tela presente, mesmo que ninguém a use, as pessoas próximas se sentem menos conectadas umas com as outras.

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