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    3º Neurônio | opinião

    O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, depois de sua prisão em Londres

    Julian Assange: a queda do vazador sem fronteiras

    por Joseba Elola | El País | Publicada em 12/04/2019 às 17h23

    Editor australiano sempre foi um personagem polêmico, tão admirado quanto detestado. O Seguinte: reproduz a opinião de Joseba Elola, publicada pelo El País

     

    Julian Assange passou anos dizendo que os Estados Unidos queriam extraditá-lo. Que havia uma causa secreta em andamento contra ele por revelar os segredos da diplomacia e da espionagem norte- americanas. Que depois de Chelsea Manning, a analista de inteligência que forneceu a documentação com a qual iniciou uma série de vazamentos que entrarão na história, o objetivo era derrubá-lo. Por isso permanecia refugiado em precárias condições físicas, depois de quase sete anos sem praticamente ver a luz, em uma embaixada na qual, cada dia mais, era um ocupante indesejado. Seus piores temores se confirmaram nesta quinta-feira. Já foi evacuado pela força da sede diplomática que lhe dava abrigo desde junho de 2012. O Equador levantou a proteção que lhe dava. E a polícia metropolitana britânica confirma que, em parte, foi detido por um pedido de extradição dos Estados Unidos. A aventura do vazador por excelência entra em uma fase que não lhe augura grandes alegrias.

    Com uma longa barba branca, debilitado, transportado como um cordeiro, gritando. A imagem que o mundo recebeu nesta quinta-feira do polêmico editor de 47 anos tem pouco a ver com a daquele ativista carismático e glamoroso que em 2010 desafiou a grande superpotência a partir da capa da revista Time, que o escolheu como homem do ano.

    As coisas, o mundo, mudam rapidamente. Há apenas dois anos, o sol parecia começar a brilhar para o fundador do WikiLeaks, site de vazamentos responsável por casos tão notórios como o Cablegate, em 2010, que expôs os segredos da diplomacia norte-americana, ou os vazamentos que colocaram em apuros a candidata democrata Hillary Clinton na campanha eleitoral na qual Donald Trump saiu vencedor: a analista Chelsea Manning tinha sido perdoada por Barack Obama e percorria o mundo divulgando as bondades da transparência da informação; e as autoridades suecas haviam desconsiderado a investigação das acusações de estupro que pesavam contra ele na Suécia. Hoje, Chelsea Manning está de novo na prisão por não colaborar na investigação que um júri norte-americano realiza em torno do WikiLeaks. E Assange voltou ao calabouço.

    Havia muitos anos que incomodava instituições e personagens com poder, então dificilmente sairia impune. Criou o WikiLeaks em 2006 com a intenção de usar o potencial oferecido pela tecnologia e pela rede para denunciar e expor o comportamento dos corruptos. Seu sucesso consistiu, com seu notável passado de hacker, em construir uma plataforma na qual os denunciantes pudessem vazar documentos de modo anônimo sem o receio de serem rastreados. A transmissão — em abril de 2010 — da filmagem de um helicóptero norte-americano Apache disparando em um grupo de civis colocou seu site no radar das informações. E a publicação dos Documentos do Iraque, dos Documentos do Afeganistão e dos Documentos do Departamento de Estado (ou Cablegate), durante todo aquele ano, fizeram do WikiLeaks a marca global do novo jornalismo de denúncia com DNA digital.

    Foi também naquele ano, fundamental para sua trajetória profissional e de vida, que saiu de uma visita a Estocolmo, em agosto, com quatro acusações de crimes sexuais (uma delas de estupro) por seu comportamento com duas mulheres. A instrução desses procedimentos da Justiça sueca foi sendo extinta ao longo dos últimos anos por ter prescrito o prazo para interrogá-lo ou porque as autoridades suecas decidiram abandonar a investigação (em maio de 2017).

    Sempre foi um homem polêmico, tão admirado quanto detestado. Dotado de um carisma evidente e uma inteligência notável, também acusado de despotismo e egolatria, foi um garoto superdotado e desde muito cedo se notava que era promissor. Criado em uma família inconformista, com a qual viveu uma infância itinerante pelo território australiano, encontrou refúgio no mundo dos computadores, onde se formou como programador demonstrando um talento precoce. Aos 16 anos, com o pseudônimo de Mendax, formou seu primeiro grupo de hackers com dois amigos e logo invadiu o sistema de computadores da empresa de telefonia canadense Nortel. Sua vocação para desestabilizar sistemas já o levou aos tribunais de seu país quando era um jovem com rabo de cavalo e óculos de John Lennon.

    Egocêntrico, com alto conceito de si mesmo, conseguiu atrair todo tipo de inimizades ao longo de seu percurso no WikiLeaks e muitos que o acompanharam nos estágios iniciais da aventura informativa o abandonaram ou foram expulsos, como aconteceu com aquele foi seu braço direito nos anos fundamentais da plataforma, o cientista da computação Daniel Domscheit-Berg, ou a ativista islandesa Birgitta Jónsdóttir.

    Depois de perder a queda de braço com a justiça britânica, que aprovou sua extradição para a Suécia por quatro acusações de crimes sexuais e estupro, optou por se refugiar na Embaixada do Equador em junho de 2012 para escapar de um procedimento pelo qual, dizia, o que se queria na verdade era mandá-lo para os Estados Unidos para julgá-lo por expor material confidencial. A partir desta quinta-feira, essa possibilidade está um pouco mais próxima.

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