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    3º Neurônio | psicologia

    Como treinar a mente para administrar a ansiedade

    por Inmaculada Ruiz | El País | Publicada em 07/01/2019 às 16h01

    O cérebro pode ser domado como o corpo. Existem exercícios para adquirir confiança e controlar o estresse e as emoções. O Seguinte: reproduz o artigo publicado pelo El País

     

    Pode ser um garoto qualquer da periferia, de família desestruturada, criado nas humilhações da vida em uma sociedade profundamente preconceituosa, com uma alimentação pobre, os dentes estragados, o dia na rua chutando bola.

    Quinze anos depois, milhões de telespectadores estão à beira de um ataque de nervos com os olhos e alma cravados nele, uma escultura perfeita adornada com um diamante de mais quilates que a idade de sua orelha e um penteado brilhante como sua Ferrari. Final de um grande torneio, cobrança de pênaltis. As arquibancadas explodem em gritos e insultos, os figurões se agarram ao dinheiro, uma enorme quantia depende desse chute; seus companheiros cobrem a cara para não vê-lo. Ninguém gostaria de estar em seu lugar. O garoto da periferia avança firme e cabisbaixo em direção ao ponto exato. Ali está sozinho com a bola diante do abismo do gol. Tudo ao seu redor está desconjuntado, menos sua cabeça, uma máquina fabulosa que ordena executar sobre a bola a força e o efeito exatos que enfraqueçam o formidável goleiro. E balança a rede. Ou não. Isso é o de menos agora. Aqui importa o poder psicológico, a força mental que se apresenta para cobrar esse pênalti decisivo. O caminho de anos de treinamento físico e mental percorrido por um garoto ou uma garota qualquer até chegar à elite.

    As grandes vitórias são psicológicas. Isso sabe muito bem Rafael Nadal, muitas vezes fisicamente destroçado na quadra da qual saiu campeão graças a sua formidável cabeça. Muito poucos nascem com qualidades físicas ou mentais extraordinárias, mas, com um bom treinamento, quase todos podemos ser excelentes em nossas qualidades; sem ele, nem o mais virtuoso se destaca.

    Um dos melhores escultores de cérebros é o autor do livro El Entrenador Mental, Juan Carlos Álvarez Campillo, psicólogo especialista em liderança e treinamento dos melhores atletas e altos executivos da Espanha. Com eles, trabalha três elementos essenciais: autoconfiança, controle do estresse e gerenciamento de emoções para alcançar seus objetivos.

     

     

    Os exercícios para treinar esses poderes são simples, mas, como em todo treinamento, é preciso começar de baixo, sem forçar, e diariamente. "Tudo se aprende. A mente pode ser treinada como o corpo, e há exercícios para isso, como há para chutar pênaltis", explica Campillo. Para alcançar um objetivo, é preciso recordar realizações do passado, fixar-se nos desafios superados ao longo da vida. Isso reforça um pensamento essencial: "Eu sou bom. Eu posso fazer isso". Assim se conquista a autoconfiança. Depois é preciso treiná-la com pequenas metas de curto prazo, coisas de muito pouca dificuldade que não admitam desculpas e criem um hábito. Graças à plasticidade de nosso cérebro, isso gera conexões neurais que reforçam a ideia de que somos capazes.

    É importante afastar as ideias que destroem este trabalho: não vai dar certo, não tenho tempo ... "Nós temos um sabotador interno que, quando a gente se descuida, começa a minar a confiança", alerta Campillo, "e é necessário desativá-lo sem tentar evitar o pensamento, porque isso é impossível. Você tem que trabalhar nisso e se convencer de que esse não é você em seu melhor estado, que outras vezes você demonstrou que pode. Voltar a si, ao que você realmente é, ignorando essas ideias ou as opiniões dos outros. Concentrar-se na sua meta, observar suas conquistas e confiar em seu trabalho e seu talento. Porque esses pensamentos geram muitíssimo estresse, e neutralizá-los fortalece a confiança e mantém longe essa tensão”.

    O controle da pressão e da ansiedade é outra força essencial. Essa habilidade é obtida à base de exercícios respiratórios, concentração e relaxamento. A atenção plena, estar concentrado na bola e não nas arquibancadas, pensar no aqui e agora, e não nas circunstâncias que nos rodeiam. O estresse é a resposta do organismo à antecipação do futuro imaginado como ameaçador. Por isso, é importante focar no presente e visualizar apenas as realizações futuras, nunca erros, experimentando como alguém se sentiria nesse momento de êxito.

    E o aqui e agora implica administrar um fator importante na psicologia: detectar o que pode e o que não pode ser controlado e concentrar-se em trabalhar no primeiro. "Ninguém pode controlar o resultado de um jogo, mas pode, sim, chegar descansado, bem alimentado, em forma, com boas relações com os companheiros de equipe e em seu relacionamento amoroso, e confiando em seu talento", explica Campillo.

    Comer bem, descansar, manter relacionamentos emocionais satisfatórios ... Isso deve ser trabalhado todos os dias, como se faz com o bíceps, com base no hábito. Mas você não pode manter essa disciplina sem o grande motor: a motivação. "É preciso visualizar para poder sentir como seria conseguir algo que nos faça vibrar, nos faça feliz, e uma vez que no conectemos com isso, imaginando-nos lá, já temos a motivação. A partir desse momento, é necessário planejar os passos para, pouco a pouco, chegar lá ", aconselha o treinador.

    “Se essa meta vai ser alcançada ou não, ninguém sabe. Mas é certo que com esse treinamento chega-se ao máximo que cada um pode dar”, garante Campillo. Afinal, trata-se disso, de viver com desafios e esperanças, de remar a nosso favor e ganhar o troféu de ser a melhor versão de si mesmo.

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