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    3º Neurônio | luto

    Morre Beatriz Segall, a eterna Odete Roitman

    por Diego Nunes | Memória Cinematográfica | Publicada em 05/09/2018 às 17h21

    Morreu hoje, aos 92 anos, Beatriz Segall. O Diego Nunes, do Memória Cinematográfica, apresenta no Seguinte: a biografia da atriz conhecida como a eterna Odete Roitman, uma das grandes damas da dramaturgia brasileira 

     

     

    Beatriz de Toledo Segall nasceu no Rio de Janeiro em 25 de julho de 1926. Nascida em uma família de classe média, recebeu uma educação primorosa como era comum para as jovens da sociedade da época. Beatriz aprendeu piano, francês e costura.

    Desde criança assistia fascinada as peças de teatro encenadas em sua escola, o tradicional Instituto Lafayette, onde seu pai era diretor. Porém, meninas de família não podia fazer teatro, que era considerado uma coisa vulgar e imoral. Apesar do desejo de ser atriz, começou a dar aulas de francês ao invés de correr atrás de seus sonhos.

    Mas ela acabou ganhando uma bolsa para estudar interpretação em Paris, recebendo enfim as bençãos de sua família. De volta ao Brasil, ingressou na Companhia de Henriette Morineau, e com o nome de solteira, Beatriz Toledo, estreou no cinema como protagonista de A Beleza do Diabo (1951). Embora tenha chamado atenção da crítica por sua atuação, o filme foi muito criticado e foi um fracasso de bilheterias.

     

     

    Em Paris, Beatriz conheceu Maurício Segall, filho do pinto Lassar Segall, com quem ela se casaria em 1954, passando a adotar o sobrenome do marido. O casal teve quatro filhos, incluindo o cineasta Sérgio Toledo Segall.

    Ela estreou na televisão atuando na novela infantil Pollyana (1956), na TV Tupi. Depois ingressou no elenco de Lever no Espaço (1957), primeiro programa de ficção científica da televisão brasileira. Também fez alguns espetáculos do Grande Teatro Tupi.

     

    : Beatriz no teleteatro O Jardim e a Menina (1959), a menina a esquerda é Debora Duarte

     

    Em 1960 foi para a televisão Excelsior, onde redigiu programas femininos e apresentou o programa infantil Passatempo (1960).

    Beatriz afastou-se por um período da vida artística para dedicar-se a sua família. Ela retornou em 1964, dedicando-se ao teatro. Em 1970 retornou ao cinema, atuando em Cléo e Daniel (1970).

     

    Com Irene Stefânia em Cléo e Daniel (1970)

     

    No cinema fez ainda À Flor da Pele (1976), O Cortiço (1978), Diário da Província (1978), Os Amantes da Chuva (1979), Pixote, a Lei do Mais Fraco (1981), Romance (1988), Desmundo(2003) e Família Vende Tudo (2011).

     

    Com Bete Mendes em As Amantes da Chuva (1979)

     

    Na televisão, destacou-se em novelas como A Gordinha (1970), Dancin' Days (1978), Pai Herói (1979), Água Viva (1980), Ninho da Serpente (1982), Louco Amor (1983), Champagne(1983), Barriga de Aluguel (1990), De Corpo e Alma (1992), Anjo Mau (1997), O Clone (2001) e Bicho do Mato (2006). Mas seu papel mais marcante sem dúvida foi a vilã Odete Roitman de Vale Tudo (1988), que parou o Brasil com a pergunta "Quem matou Odete Roitman?".

     

     

    Beatriz já revelou em entrevistas que não gosta de falar da personagem que marcou tanto sua carreira, fazendo com que as pessoas se esqueçam de suas outras atuações, em especial as realizadas nos palcos brasileiros.

    Em 2015 ela atuava no musical Nine - Um Musical Feliniano, quando caiu e machucou o braço, precisando fazer uma cirurgia no ombro direito. A atriz precisou ser substituída.

    Beatriz estava internada no Hospital Albert Einstein, onde faleceu aos 92 anos, em 05 de setembro de 2018.

     

    Beatriz Segall e Carol Castro e Nine - Um Musical Feliniano

     

    Neste mesmo ano fez seu último trabalho na televisão, uma participação na série Os Experientes (2015).

     

     

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