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    3º Neurônio | crônica

    A arma da palavra escrita na era da internet é um perigo

    por Ricardo Kotscho | Balaio do Kotscho | Publicada em 08/08/2018 às 16h51

    O Seguinte: recomenda e reproduz o artigo publicado pelo jornalista Ricardo Kotscho em seu blog, o Balaio do Kotscho

     

    Muito cuidado ao escrever na internet: a arma da palavra escrita é como um bumerangue, ela pode voltar na tua testa.

    Na era das comunicações digitais online, cada vez mais rápidas, muita gente ainda não se deu conta do perigo escondido na palavra escrita, que não tem volta. Fica na nuvem para sempre.

    Como sou do tempo em que as pessoas usavam a palavra apenas para escrever cartas e postar no correio, redigir matérias ou publicar livros, a gente tinha tempo para ler, reler várias vezes, corrigir e, por vezes, se arrepender e jogar o texto fora.

    Agora, não: é tudo online, full-time, ao vivo, zap-zap, vapt-vupt, vai e volta em segundos, como numa troca de tiros que deixa muitas balas perdidas no caminho.

    A vítima pode ser você.

    Tenho uma amiga, a Adélia, que preza muito a palavra escrita, tanto que só se refere a ela com maiúscula: Palavra.

    Professora doutora em Teoria Literária e Literatura Comparada da Universidade de São Paulo, Adélia Bezerra de Menezes, sabe do que está falando ou escrevendo.

    Nas nossas trocas de mensagens sobre o assunto, me recomendou outro dia o livro Do Poder da Palavra (ensaios de Literatura e Psicanálise), “publicado no século passado”.

    Lembrei-lhe que nós também somos do século passado…

    E estamos obrigados agora a conviver num mundo cibernético para o qual não fomos preparados, uma revolução em movimento contínuo, que mudou completamente a comunicação humana.

    Demorei para aderir ao computador, ao smarthphone (é assim que escreve?), ao lap-top, resisti a entrar nas redes sociais e, só no ano passado, por imposição das filhas, entrei no Facebook, me arrisquei no WhatsApp e em todas essas traquitanas tecnológicas.

    Como ainda estou aprendendo a mexer com tudo isso ao mesmo tempo, já quebrei a cara várias vezes.

    Isso pode dar uma confusão danada quando você não olha direito e, na pressa, responde a uma pessoa mensagem que recebeu de outra.

    Não dá tempo nem de revisar o que você escreveu porque já vão pipocando novas mensagens e não dá nem tempo de pensar nas respostas.

    Pior é quando, no meio de uma discussão, você perde a paciência e escreve o que não deve para se arrepender logo depois, mas aí já foi, não tem como corrigir.

    Por isso, minha filha caçula, a cineasta Carolina Kotscho, me recomendou que certos assuntos só devem ser discutidos pessoalmente, nunca por escrito.

    “Só escreva recados curtos e para elogiar alguém, nunca para criticar ou fazer cobranças a outras pessoas”, recomendou-me ela, com a sabedoria de quem já foi criada nesse mundo novo.

    Tenho procurado seguir seu conselho, mas como também atualizo diariamente este blog, e os fatos se sucedem em ritmo alucinante, nem sempre paro para pensar antes de escrever.

    Muitas vezes, na afobação das emoções da hora, me precipito e digo coisas que não deveria escrever, ou pelo menos não escrever daquela forma.

    Menos mal que na internet os leitores podem nos chamar a atenção para erros factuais ou de avaliação que cometemos, e sempre podemos corrigir ou, se for o caso, pedir desculpas aos atingidos.

    Vejam o caso desse alucinado Donald Trump, o imperador do Twitter, que em até 140 caracteres consegue deflagrar uma nova guerra por dia, depois desmente tudo, e começa outra, num moto-contínuo sem fim.

    Nunca as pessoas escreveram tanto em todas as plataformas e, no entanto, nunca pensaram tão pouco antes de publicar _ e nunca leram tão pouco fora das redes sociais, ou seja, bons livros.

    Antes da febre da velocidade nas redes sociais, eu já sacaneava um amigo jornalista, dos melhores do país, que é um exímio datilógrafo dos tempos da máquina de escrever e sempre terminava sua matéria antes dos outros.

    “Esse cara é tão bom que escreve mais rápido do que pensa…”, eu brincava.

    A amiga Adélia, que citei no início desta reflexão sobre a palavra, é também uma estudiosa da obra de Chico Buarque, para mim o poeta brasileiro que melhor trata a língua pátria, com muito zelo e carinho.

    Não sei se o Chico também se rendeu às redes sociais, mas tenho certeza que ele revê, repensa, relê e refaz mil vezes o que criou antes de oferecer ao distinto público.

    Para provar o que estou dizendo, encerro este texto com os últimos versos de “Todo o Sentimento”, uma obra prima que a Adélia me mandou esta semana e fico pensando como é possível dizer tantas coisas com tão poucas palavras:

    Depois de te perder

    Te encontro, com certeza

    Talvez num tempo de delicadeza

    Onde não diremos nada

    Nada aconteceu

    Apenas seguirei

    Como encantado ao lado teu.

    Talvez esteja na hora da gente voltar ao velho hábito de conversar cara a cara, olho no olho, porque podemos corrigir na hora o que falamos, pedir desculpas, consertar os argumentos ou, como diz o Chico, “onde não diremos nada”.

    Às vezes, é melhor mesmo não dizer nada, muito menos escrever na internet algo para ficar eternamente nas nuvens da cibernética.

    Assim como o passado, o que está escrito não tem volta. Muito cuidado!

    Vida que segue.

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