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    3º Neurônio | cinema

    A irreverente Dercy Gonçalves

    por Diego Nunes | Memória Cinematográfica | Publicada em 25/06/2018 às 14h12| Atualizada em 25/06/2018 às 14h28

    Sábado 23 de junho a atriz Dercy Gonçalves teria completado 111 anos. O Diego Nunes, do Memória Cinematográfica, relembra em texto, vídeos e galeria de imagens a trajetória da grande comediante no cinema

     

    A atriz Dercy Gonçalves é uma das mais importantes comediantes brasileiras. Nascida Dolores Gonçalves Costa, ela nasceu em Santa Maria Madalena em 23 de junho de 1907. Filha de uma família muito pobre, seu pai era alfaiate e sua mãe lavadeira. 

    Após descobrir a infidelidade do marido, sua genitora foi embora de casa, abandonando os sete filhos com o pai alcoólatra. Na cidade onde vivia, sofria todo tipo de preconceito, sendo chamada de "negrinha" por ser neta de negros. Começou a trabalhar como bilheteira de cinema para ajudar nas despesas domésticas, e foi ali que decidiu que queria ser artista.

    Aos dezessete anos fugiu de casa escondida em um trem, chegando a Macaé, onde se juntou a uma trupe de teatro mambembe. Em 1929 ingressou na Companha Circense de Maria Castro e fez sua estréia como atriz. Começou a fazer dupla com Eugenio Paschoal (os Pascoalinos). Eugenio foi seu primeiro namorado (ele a violentou quando ela ainda era virgem).

     

    : Dercy e Eugênio em 1930

     

    Durante uma excursão pelo interior de Minas Gerais, contraiu tuberculose, e teve que deixar o circo. Um homem viu a moça doente próxima a tenda do circo ficou com pena de seu estado, pobre e doente, e a colocou em um sanatório para que ela se tratasse, pagando todas as despesas. Curada, teve com este homem sua única filha, Dercimar, nascida em 1936.

    Dercy especializou em comédias e no improviso. Foi estrela no teatro de revistas brasileiro, e na década de sessenta era uma das artistas mais bem pagas do Brasil. Suas peças, cheias de palavrões e muitos monólogos sobre sua vida pessoal faziam sucesso com a elite brasileira moralista, que disputava as primeiras poltronas do teatro para ficarem no alvo das cusparadas que a atriz dava no palco em direção ao público. Também era uma das artistas mais bem sucedidas da televisão na época.

     

    : Na novela Que Rei Sou Eu? (1989)

     

    Nunca parou de atuar, fazendo inúmeros filmes, peças, novelas e programas de televisão. Em 1991 foi tema do enredo da escola de samba Unidos do Viradouro, "Bravíssimo - Dercy Gonçalves, o retrato de um povo." Ela faleceu em 19 de julho de 2008, aos 101 anos.

     

    Dercy Gonçalves no filme Absolutamente Certo (1958)

     

    Dercy em seu último filme, Nossa Vida Não Cabe Num Opala (2008), aos 101 anos

     

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