GRAVATAÍ, 17/09/2019
pequenas empresas, grandes histórias

Vanderlei e Rafael com Draken, primeiro caiaque produzido na garagem-fabriqueta que os dois planejam transformar em um grande empreendimento para fabricação de equipamentos para prática de esportes aquáticos

Os Vikings de Gravataí para o mundo

por Silvestre Silva Santos | Edição de imagens: Guilherme Klamt | Publicada em 14/06/2019 às 17h34| Atualizada em 01/07/2019 às 12h49

Quando este colunista e o editor de imagem do Seguinte:, Guilherme Klamt, cruzaram a cancela da portaria principal do condomínio Paragens Verdes Campos, à margem direita da Freeway no sentido Gravataí-Litoral - do outro lado do Complexo Industrial Automotivo de Gravataí (Ciag) capitaneado pela montadora norte-americana General Motors (GM) - não sabíamos o que nos reservavam dois empreendedores-sonhadores que nos receberam em um pedaço de garagem, com menos de 20 metros quadrados.

Ali, naquele pequeno espaço, um designer gráfico e um técnico em manutenção industrial dão os primeiros passos do que pode vir a ser – notem bem: escrevi “pode vir a ser” – uma grande empresa fabricante de produtos para praticantes de esportes aquáticos. Indo mais longe: Quem sabe Rafael Jukoski e Vanderlei Coelho não consigam colocar em prática o sonho que acalentam e, de fato, possam produzir lanchas náuticas e até veleiros?

De volta à realidade!

Rafael Jukoski, 47 anos, é irmão do medalhista de ouro na Olimpíada de Barcelonma, Espanha, em 1992, Paulo Jukoski, ou simplesmente Paulão. Nos recebeu à porta de uma confortável residência na Via do Sol Poente. Na garagem nos esperava seu amigo e sócio, Vanderlei Coelho, um técnico de manutenção industrial que começou a trabalhar na GM de Gravataí seis meses antes de a fábrica ser inaugurada.

Jukoski, como designer gráfico, diretor de arte e vídeo que trabalha em casa mesmo, diante de um super-computador, na medida em que solidificava a amizade se solidificava passou a conhecer Coelho, sua paixão pelo rock, as artes marciais, o surf, e o trabalho artesanal que realizava, produzindo em casa pranchas de surf que  vendia para os amigos.

Produziu 13, pelas suas contas, de 2015 até agora.

O número pequeno não é por preguiça ou falta de mercado. Mas uma imposição do tempo escasso – tem uma atividade profissional regular – e do cuidado que dedica à sua produção, com método artesanal e por causa da técnica empregada. Enquanto as pranchas convencionais são maciças, de poliuretano ou poliestireno (o popular isopor), ele produz pranchas de madeira. Porém, pranchas ocas!

As suas “ranwood” – praticantes do surf entenderão! – de hoje são de uma madeira especial, a Paulownia, ou kiri japonesa, ao contrário do com pensado naval que empregou na sua primeira investida. Exigem muitas horas de planejamento de cada detalhe, serra, cola, lixas, mais lixas, outra vez lixas, resina uma, duas ou três vezes, polimento, até que possas ser dadas por acabadas.

Conversa vai, conversa vem...

Depois de algum tempo de convivência, conversas infindáveis tendo ao fundo um bom rock in roll, a micro e pequeníssima empresa The Viking Brasil, do Vanderlei, ganhou corpo, mais precisamente o do Rafael. O planejamento passou a ser computadorizado e o conhecimento como designer facilitou bastante a visualização no virtual do que eles queriam de modo material.

 

Primeiro trabalho

 

Foi daí que nasceu o Draken, um caiaque em madeira todo produzido em madeira e na garagem-oficina-marcenaria-fabriqueta, que já foi levada a um evento, o Vila Caíbe Festival, aqui mesmo em Gravataí, no começo deste mês, e tem seu preço de venda estabelecido em nada menos que R$ 12.500,00.

--- Ah, é R$ 12 mil --- disse Rafael quando perguntei por quanto o Draken poderia ser levado para casa.

--- E mais R$ 500,00 --- completou Vanderlei.

Os dois, quando vistamos a garagem, na Paragem (não poderia deixar de aproveitar a chance de rimar!), estavam finalizando uma prancha de stand up  e já tinham em mãos o “esqueleto” do que vai ser uma ranwood, uma daquelas pranchas de surf de madeiras, ocas. Com o auxílio do computador, a boa vontade dos dois, a pesquisa permanente e a técnica que empregam de forma artesanal – o que não quer dizer falta de cuidado – Rafael e Vanderlei já pensam em surfar novas ondas.

Admitem, por exemplo, construir pequenas lanchas. Por enquanto para águas mas calmas, como lagoas, mas nada que não possa navegar em mar de regiões de calmaria.

--- São aquelas lanchas tipo as que o (agente) 007 (do cinema) usava em suas aventuras, abertas, menores --- diz Vanderlei.

--- Quem sabe, mais adiante, uns iates menores ou até veleiros, como é o sonho do Vanderlei --- afirma Rafael, tão grisalho de barba e cabelo quanto o amigo.

 

NO FACEBOOK

The Wiking Brasil

 

Confira no vídeo o bate-papo que tivemos com Rafael e Vanderelei, com exclusividade para o Seguinte:.

 

O que é

 

SURF – O surf (aportuguesamento do termo inglês surf, também recorrente sob a forma surfing), é uma prática esportiva desenvolvida na superfície da água. É considerado parte do grupo de atividades denominadas esportes de aventura devido ao grau de dificuldade dos movimentos executados pelo surfista ao deslizar em pé na prancha de surf, aproveitando a onda que quebra quando se aproxima da praia.

 

CAIAQUE – O caiaque, ou caíque, é uma pequena embarcação a remo utilizada para lazer, transporte e competições. Na vertente desportiva compreende modalidades como velocidade, slalom, adaptada, descida, maratona, oceânica, onda, pólo, rafting e rodeio. Esta embarcação começou a ficar famosa na década de 1970, na Groelândia, quando os programas de televisão começaram a divulgar os esportes radicais. O caiaque nasceu na Alemanha e existe desde tempos antigos, servindo de meio de pesca e trabalho dos esquimós. Caiaque significa na língua local “Barco de Caçador”, e seu uso era permitido exclusivamente aos homens que empregavam ossos de baleia, peles e tripas de focas para a construção destas embarcações.

 

STAND UP – Ou stand up surf, significa remo em pé ou surfe com remo. Ou, ainda, stand up paddle boarding, stand up paddle surfing (SUP). É um esporte popular em todo mundo, de origem havaiana, e uma forma antiga de surfe que ressurgiu como maneira de instrutores de surf administrarem os seus grandes grupos de alunos. Estar em pé na prancha lhes dá uma maior visibilidade.

 

 

 

 

 

SITE DE JORNALISMO E INFORMAÇÃO
Gráfica e Editora Vale do Gravataí
Av. Teotônio Vilela, 180 | Parque Florido
Gravataí(RS) | Telefone: (51) 3042.3372

redacao@seguinte.inf.br

Roberto Gomes | DIRETOR | roberto@seguinte.inf.br
Rafael Martinelli | EDITOR | rafael@seguinte.inf.br
Silvestre Silva Santos | EDITOR | silvestre@seguinte.inf.br
Guilherme Klamt | EDITOR | guilherme@seguinte.inf.br

Ao reproduzir uma de nossas matérias, é ético citar a fonte.
As opiniões assinadas são de responsabilidade de seus autores e não representam a posição do jornal.
Desenvolvido por i3Web. 2016 - Todos os direitos reservados.